13 fevereiro 2017

[ Resenha]: Seeker, a guerra dos clãs - Arwen Elys Dayton

Sinopse:“Primeiro da trilogia de mesmo nome, que marca a estreia da autora  Arwen Elys Dayton na literatura young adult, Seeker – A guerra dos clãs é uma fantasia épica com toques de ficção científica perfeita para fãs de séries como Jogos Vorazes, Divergente e Jovens de Elite. A história gira em torno da jovem Quin Kincaid, treinada para se tornar uma Seeker e lutar ao lado de seus companheiros para proteger os injustiçados, levando luz para um mundo mergulhado na escuridão. Na noite de seu juramento, porém, quando está prestes a honrar seu legado e iniciar sua missão, Quin descobre que ser uma Seeker não é bem o que ela havia imaginado. E mesmo sua família e seu grande amor não são exatamente como ela acreditava. A jornada de Quin Kincaid em busca de sua verdadeira identidade vai começar. Uma saga memorável, protagonizada por uma heroína inesquecível.”  


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Confesso que estava muito curiosa para conferir Seeker, o livro de estreia da autora Arwen Elys Dayton. Não sabia muito sobre a história, mas estava ciente de que o livro vinha fazendo sucesso mundo a fora – tanto que os direitos para adaptação do mesmo já foram comprados. Tudo o que conhecia sobre a obra é que se tratava de uma fantasia, com aventura, viagem no tempo e um propósito nobre de proteger a humanidade se tornando um seeker. Ou seja, não precisei de muito mais que isso para ficar ansiosa e animada com a leitura. E até certo ponto mantive este mesmo sentimento, entretanto a leitura não evoluiu como eu esperava e acabei me decepcionando bastante.


A trama de Seeker nos apresenta Quin, Shinobu e John, três jovens que vivem em uma fazenda na Escócia treinando para se tornarem seekers. Seus treinadores são Briac (pai de Quin) e Alistair (pai de Shinobu), quando terminarem seu treinamento e realizarem o juramento terão grande poder e responsabilidade nas mãos, podendo decidir o destino das pessoas, alterar o curso da história e evitar grandes tragédias. Mas se tornar um seeker não é o que eles imaginam, Briac escondeu grandes segredos que somente vem à tona quando Quin e Shinobu realizam o juramento, verdades que John já sabia, mas movido por um desejo de vingança se manteve firme no propósito de se tornar um seeker e mudar as coisas, ser mais justo e um seeker melhor. Somos apresentados ainda a Maud, a Pavor Menor, ela é a mais jovem Pavor e eles existem para acompanhar os seekers em suas missões e garantir que nada saia do controle, funcionando como uma espécie de júri que tem o poder de punir quem foge as regras de um seeker. Maud é jovem e tem muito a aprender, assim como Quin, Shinobu e Jhon, nem tudo que é importante foi contado a ela, e terá que descobrir sozinha em qual lado ficar, se fará justiça ou apenas assistirá como um peão neste jogo perigoso entre Seekers, Pavores e o destino da humanidade.

A autora nos insere num mundo bem distinto, diferente de tudo o que eu já li, trazendo um sentimento de nostalgia ao lembrarmos dos Shadowhunter da Cassandra Clare que também protegem a humanidade sem que eles saibam. Os cenários de pano de fundo da história são muitos: Escócia, Hong Kong e Londres; lugares belíssimos e bem diferentes, mas que poderiam ter sido mais explorados durante a narrativa, que em terceira pessoa nos leva a acompanhar Quin, Jhon, Shinobu e Maud e tudo o que acontece durante tal jornada. Quin é a protagonista, mas cada personagem tem uma importância no enredo, e no decorrer da trama somos apresentados a mais de um vilão, o que reafirma como o ser humano possui as duas naturezas dentro de si e, por poder e ganância, pode despertar e sucumbir ao seu lado mais obscuro.

Mas aí minha empolgação começou a cair. Eu li o livro em dois dias, li freneticamente é verdade, mas terminei decepcionada. A história é dividida em três partes. A primeira me manteve empolgada com tudo tantas descobertas (momento em que somos apresentados ao mundo criado pela autora, às personagens, e antes que ela termine voltamos um pouco no tempo para entender as motivações de algumas delas quando eram mais novas), e a segunda, apesar da fluidez, foi decepcionante, pois não encontrei mais as personagens fortes e guerreiras que me foram apresentadas antes. Eu esperava que Quin, Shinobu e Jhon lutassem para alterar as coisas, para serem melhores, mas não foi o que eu encontrei. Por fim a terceira parte, onde as coisas voltam a ficar interessantes, senti que a autora tomou decisões precipitadas e criou um romance leviano e raso que não me cativou. E o ponto crucial foi à falta de respostas; acreditava que iria encontrar as respostas para a falta de explicação em que a trama se inicia, mas os protagonistas estão tão perdidos quanto nós leitores, e nada fica claro – simplesmente deduzimos a maioria das coisas ou as aceitamos quando são jogadas na cara dos protagonistas. De fato foi muito decepcionante, até porque a trama tem potencial para ser mais, poderia ter sido melhor desenvolvida, faltaram respostas e faltou um romance crível e que cativasse o leitor.

Resumindo: a obra tem grande potencial, sua narrativa é fluida e nos prende do início ao fim, temos fantasia, o começo de um romance, viagem no tempo, tradições milenares sendo exploradas, um cenário rico e uma luta entre o bem e o mal. Porém, em determinados momentos a autora se perdeu e nos deixou sem as explicações necessárias. Ainda assim, apesar de ter me decepcionado, confesso que o final conseguiu me deixar curiosa com o que está por vir. Então, se o gênero faz o seu estilo, vale a pena arriscar e descobrir os altos e baixos dessa obra.

• Sobre a Trama •

[Resenha]: Garoto 21- Matthew Quick


Sinopse:Repetir um movimento várias e várias vezes ajuda a clarear a mente uma lição que Finley aprendeu muito cedo, nas quadras de basquete. Numa cidade comandada pela violência do tráfico e da máfia irlandesa, vestir a camisa 21 e dar o sangue em quadra é sua válvula de escape. Vinte e um também é o número da camisa de Russ, um gênio do basquete. Ou pelo menos era. Recém-chegado à cidade de Bellmont depois de ter a vida virada de cabeça para baixo por uma tragédia, a última coisa que ele quer é pegar de novo numa bola. Russ está confuso, parece negar o que lhe aconteceu e agora se autointitula um alienígena de passagem pela Terra. Finley recebe a missão de ajudá-lo a se recuperar e, para isso, precisará convencê-lo a voltar a jogar, mesmo sob o risco de perder seu lugar como estrela do time. Contra todas as probabilidades, Russ e Finley se tornam amigos e, por mais estranho que pareça, a presença de Russ poderá transformar a vida de Finley completamente. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick
                                         

Maaaaaais um livro do Matthew Quick aqui no blog, eba! Acho que já é seguro dizer que todos os livros dele entram automaticamente na minha lista de leitura assim que são lançados, hehe! O último lançamento aqui no Brasil foi Garoto 21, publicado pela Intrínseca!




Autor: Matthew Quick | Editora: Intrínseca | Páginas: 272
Esta resenha NÃO tem spoilers!


Estou cada vez mais encantada com a escrita do Matthew Quick. Gosto do fato de suas obras serem fluídas, envolventes e abordarem temas tabus raramente tratados na literatura. Em Garoto 21, por exemplo, somos incitados a refletir sobre discrepância social, criminalidade e marginalidade, comércio de drogas e até mesmo sobre o abuso político das máfias regionais. E tudo isso pela perspectiva de um jovem que, apesar de ser uma vítima constante da violência, ama o basquete o suficiente para esquecer os traumas do passado e sonhar com um futuro longe de tudo o que um dia fez mal a ele e a família. O basquete aqui, assim como o esporte é para inúmeros jovens espalhados pelo mundo, é o bote salva-vidas de um garoto calado e sonhador. E, apesar de não ter amado completamente o livro, confesso que adorei todas essa reflexões que ela gera.








  A trama é toda narrada por Finley e, exatamente por isso, é muito rápida e fácil de ler. O protagonista é do tipo que prefere ficar calado, que tem medo de expressar sua opinião e de abrir feridas esquecidas. O ponto é que ele está preso no próprio medo, então leva uma vida segura ao lado do pai, do avô, da namorada e dos colegas de time de basquete. Só que quando o Garoto 21 aparece em sua vida – Russ, jovem que perdeu os pais recentemente – tudo vira de pernas para o ar; o basquete não é mais o mesmo, a vida familiar mudou, a relação com Erin se transformou, e os planos antigos de Finley perderam valor. Assim, temos uma obra sobre amadurecimento, crescimento pessoal, amizade, descobertas e superação do passado. Russ e Finley, através o basquete, começam a escavar o passado, abrir e curar velhas feridas, e lutar por um novo futuro. E eu, definitivamente, amei isso. Adoro livros que focam no amadurecimento de seus protagonistas, e é perceptível o quanto Finley muda ao longo da leitura. Além disso, a personalidade introspectiva do personagem é do tipo que cativa e encanta o leitor. Sabemos que ele esconde algo, então tudo que queremos é vê-lo livre do medo e verdadeiramente feliz.


Além da personalidade do Finley e da jornada de amadurecimento protagonizada por ele, o livro também traz como ponto positivo laços fortes e reais de amizade, drama familiares que dão voz à disparidade social e financeira de nossa sociedade, e situações que nos fazem refletir sobre as consequências da criminalidade e do tráfico de drogas – aqui o autor coloca em xeque o fato de que, na grande maioria das vezes, você não precisa estar completamente envolvido com o tráfico para se tornar uma vítima dele. O único ponto negativo que consegui ver, e que acabou diminuindo minha percepção positiva da obra, foi o final. Achei o desfecho muito abrupto e insatisfatório. Claro que racionalmente entendo a proposta do autor, mas acho que Finley, Russ e Erin mereciam um desfecho um pouco mais elaborado. Ainda assim, não nego que adorei o livro, esses personagens e todas as reflexões geradas pela obra. Indico a leitura para os que gostam de histórias jovens, divertidas e com um toque de drama.