[Resenha] : Lua Azul - Leca Haine

14 fevereiro 2017

Sinopse:A história de uma menina chamada Zelda, que leva uma vida normal até começar a receber alguns bilhetes misteriosos na caixa dos correios. O primeiro dos bilhetes diz – entre outras coisas - que “ um sinal surgirá no céu e, na praça dessa cidade, lhe será descortinado o véu”. Uma vez na praça da cidade, Zelda olha para o céu e vê a lua azul, iluminando tudo ao redor. Ao reparar mais adiante, vê uma chave dourada a qual ela toca e atravessa um portal, indo parar numa outra dimensão: a Terra Paralela. Tem início aí uma aventura cheia de emoção e ação a cada capítulo

Lua Azul é um livro perfeito para os fãs de fantasia juvenil. Com uma narrativa rápida e envolvente, Leca Haine nos faz mergulhar em um mundo imaginário repleto de princesas em perigo, mistério, aventura, um esperado enlace amoroso, e – o que mais gosto – uma pitada certeira de drama. Assim como boa parte dos livros do gênero, somos apresentados a uma jovem que tem uma importante tarefa pela frente: salvar sua família e um reino distante que ela nem imaginava conhecer. Contudo, apesar da previsibilidade da história e dos clichês que encontramos nela, a trama é cativante e extremamente gostosa de ler. Prepararem-se para conhecer a Terra Paralela e os segredos que ela carrega.


Infantojuvenil (+ Fantasia)| 190 Páginas|  Editora Lua AzulCompare & Compre + Conheça a Autora Classificação 4/5


Zelda perdeu a mãe quando ainda era bem novinha. Apesar da saudade, ela leva uma vida feliz ao lado do pai e da irmã mais nova. Tanto é que sua maior preocupação é focar nos estudos (e no fato de ter encontrado na escola um menino capaz de fazer seu coração bater mais forte). A rotina de Zelda é típica para uma garota no ensino médio: escola, sair com as amigas, inseguranças geradas pelo primeiro amor, desentendimentos com a irmã mais nova (quem nunca), e uma vontade de descobrir seu lugar no mundo. O único problema é que parece que o lugar dela não é nesse mundo. Após receber cartas anônimas cheias de promessas e ameaças, Zelda passa a questionar o passado de sua família e acaba descobrindo que seu destino, assim como o de seus antepassados, está ligado ao reinado de uma terra paralela cheia de mistério, manipulações e injustiças. 
Zelda é uma personagem divertida, responsável, leal com seus familiares e amigos, insegura como boa parte das jovens da sua idade, e decidida em fazer o bem sem ver para quem. Foi fácil gostar dela e mergulhar em sua aventura de descobertas sobre o passado e o futuro de sua família. E por falar em aventura, gostei bastante da ligação de Zelda com a Terra Paralela. Achei clichê os desafios que ela encontra lá, mas ainda assim amei como a personagem vai descobrindo, pouco a pouco, quem ela realmente é e, principalmente, o que quer para o futuro – independente das inseguranças, das expectativas familiares, e até mesmo das responsabilidades que o destino colocou em seus ombros.
Outra coisa fofa do livro é o romance. Hoje vemos livros juvenis em que o romance é adulto em demasia (ás vezes muito sensual em descrições de carinho e beijos), mas no caso de Lua Azul a paixão é doce e leve como todo primeiro amor – e até mesmo confuso em alguns momentos, quando não sabemos definir o que sentimos. Gostei de como Zelda encara o amor e aprende a lidar com ele, da mesma forma que gostei do romance não ser o centro da história, e sim as descobertas familiares que a jovem protagonista faz. E aqui temos outro ponto positivo: drama familiar, a dor de perder a mãe e até mesmo os desafios de um pai criando duas filhas sem o suporte da mulher.
Devo dizer que não podemos esperar por uma história profunda e detalhada, pois não há dúvidas de que ela foi escrita na intenção de cativar e prender a atenção dos leitores mais novos. Confesso também que em alguns momentos senti falta de uma narrativa mais rica em detalhes, porém não nego que adorei o fato da leitura ser rapidinha e gostosa de ler – bem como os livros juvenis são, sem mimimi em demasia. Além disso, alerto que a obra contém alguns erros de diagramação, mas nada que diminua a qualidade da história.
Adorei Zelda e a Terra Paralela, e espero curiosa pela continuação e finalização dessa bela história. 
• Sobre a Série •

Lua Azul é o primeiro volume de uma trilogia. Os outros volumes ainda não foram lançados, contudo a ideia é que eles sejam publicados em 2017 e acompanhem o crescimento da protagonista.

[ Resenha]: Seeker, a guerra dos clãs - Arwen Elys Dayton

13 fevereiro 2017

Sinopse:“Primeiro da trilogia de mesmo nome, que marca a estreia da autora  Arwen Elys Dayton na literatura young adult, Seeker – A guerra dos clãs é uma fantasia épica com toques de ficção científica perfeita para fãs de séries como Jogos Vorazes, Divergente e Jovens de Elite. A história gira em torno da jovem Quin Kincaid, treinada para se tornar uma Seeker e lutar ao lado de seus companheiros para proteger os injustiçados, levando luz para um mundo mergulhado na escuridão. Na noite de seu juramento, porém, quando está prestes a honrar seu legado e iniciar sua missão, Quin descobre que ser uma Seeker não é bem o que ela havia imaginado. E mesmo sua família e seu grande amor não são exatamente como ela acreditava. A jornada de Quin Kincaid em busca de sua verdadeira identidade vai começar. Uma saga memorável, protagonizada por uma heroína inesquecível.”  



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Confesso que estava muito curiosa para conferir Seeker, o livro de estreia da autora Arwen Elys Dayton. Não sabia muito sobre a história, mas estava ciente de que o livro vinha fazendo sucesso mundo a fora – tanto que os direitos para adaptação do mesmo já foram comprados. Tudo o que conhecia sobre a obra é que se tratava de uma fantasia, com aventura, viagem no tempo e um propósito nobre de proteger a humanidade se tornando um seeker. Ou seja, não precisei de muito mais que isso para ficar ansiosa e animada com a leitura. E até certo ponto mantive este mesmo sentimento, entretanto a leitura não evoluiu como eu esperava e acabei me decepcionando bastante.


A trama de Seeker nos apresenta Quin, Shinobu e John, três jovens que vivem em uma fazenda na Escócia treinando para se tornarem seekers. Seus treinadores são Briac (pai de Quin) e Alistair (pai de Shinobu), quando terminarem seu treinamento e realizarem o juramento terão grande poder e responsabilidade nas mãos, podendo decidir o destino das pessoas, alterar o curso da história e evitar grandes tragédias. Mas se tornar um seeker não é o que eles imaginam, Briac escondeu grandes segredos que somente vem à tona quando Quin e Shinobu realizam o juramento, verdades que John já sabia, mas movido por um desejo de vingança se manteve firme no propósito de se tornar um seeker e mudar as coisas, ser mais justo e um seeker melhor. Somos apresentados ainda a Maud, a Pavor Menor, ela é a mais jovem Pavor e eles existem para acompanhar os seekers em suas missões e garantir que nada saia do controle, funcionando como uma espécie de júri que tem o poder de punir quem foge as regras de um seeker. Maud é jovem e tem muito a aprender, assim como Quin, Shinobu e Jhon, nem tudo que é importante foi contado a ela, e terá que descobrir sozinha em qual lado ficar, se fará justiça ou apenas assistirá como um peão neste jogo perigoso entre Seekers, Pavores e o destino da humanidade.

A autora nos insere num mundo bem distinto, diferente de tudo o que eu já li, trazendo um sentimento de nostalgia ao lembrarmos dos Shadowhunter da Cassandra Clare que também protegem a humanidade sem que eles saibam. Os cenários de pano de fundo da história são muitos: Escócia, Hong Kong e Londres; lugares belíssimos e bem diferentes, mas que poderiam ter sido mais explorados durante a narrativa, que em terceira pessoa nos leva a acompanhar Quin, Jhon, Shinobu e Maud e tudo o que acontece durante tal jornada. Quin é a protagonista, mas cada personagem tem uma importância no enredo, e no decorrer da trama somos apresentados a mais de um vilão, o que reafirma como o ser humano possui as duas naturezas dentro de si e, por poder e ganância, pode despertar e sucumbir ao seu lado mais obscuro.

Mas aí minha empolgação começou a cair. Eu li o livro em dois dias, li freneticamente é verdade, mas terminei decepcionada. A história é dividida em três partes. A primeira me manteve empolgada com tudo tantas descobertas (momento em que somos apresentados ao mundo criado pela autora, às personagens, e antes que ela termine voltamos um pouco no tempo para entender as motivações de algumas delas quando eram mais novas), e a segunda, apesar da fluidez, foi decepcionante, pois não encontrei mais as personagens fortes e guerreiras que me foram apresentadas antes. Eu esperava que Quin, Shinobu e Jhon lutassem para alterar as coisas, para serem melhores, mas não foi o que eu encontrei. Por fim a terceira parte, onde as coisas voltam a ficar interessantes, senti que a autora tomou decisões precipitadas e criou um romance leviano e raso que não me cativou. E o ponto crucial foi à falta de respostas; acreditava que iria encontrar as respostas para a falta de explicação em que a trama se inicia, mas os protagonistas estão tão perdidos quanto nós leitores, e nada fica claro – simplesmente deduzimos a maioria das coisas ou as aceitamos quando são jogadas na cara dos protagonistas. De fato foi muito decepcionante, até porque a trama tem potencial para ser mais, poderia ter sido melhor desenvolvida, faltaram respostas e faltou um romance crível e que cativasse o leitor.

Resumindo: a obra tem grande potencial, sua narrativa é fluida e nos prende do início ao fim, temos fantasia, o começo de um romance, viagem no tempo, tradições milenares sendo exploradas, um cenário rico e uma luta entre o bem e o mal. Porém, em determinados momentos a autora se perdeu e nos deixou sem as explicações necessárias. Ainda assim, apesar de ter me decepcionado, confesso que o final conseguiu me deixar curiosa com o que está por vir. Então, se o gênero faz o seu estilo, vale a pena arriscar e descobrir os altos e baixos dessa obra.

• Sobre a Trama •

[Resenha]: Garoto 21- Matthew Quick


Sinopse:Repetir um movimento várias e várias vezes ajuda a clarear a mente uma lição que Finley aprendeu muito cedo, nas quadras de basquete. Numa cidade comandada pela violência do tráfico e da máfia irlandesa, vestir a camisa 21 e dar o sangue em quadra é sua válvula de escape. Vinte e um também é o número da camisa de Russ, um gênio do basquete. Ou pelo menos era. Recém-chegado à cidade de Bellmont depois de ter a vida virada de cabeça para baixo por uma tragédia, a última coisa que ele quer é pegar de novo numa bola. Russ está confuso, parece negar o que lhe aconteceu e agora se autointitula um alienígena de passagem pela Terra. Finley recebe a missão de ajudá-lo a se recuperar e, para isso, precisará convencê-lo a voltar a jogar, mesmo sob o risco de perder seu lugar como estrela do time. Contra todas as probabilidades, Russ e Finley se tornam amigos e, por mais estranho que pareça, a presença de Russ poderá transformar a vida de Finley completamente. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick
                                         

Maaaaaais um livro do Matthew Quick aqui no blog, eba! Acho que já é seguro dizer que todos os livros dele entram automaticamente na minha lista de leitura assim que são lançados, hehe! O último lançamento aqui no Brasil foi Garoto 21, publicado pela Intrínseca!




Autor: Matthew Quick | Editora: Intrínseca | Páginas: 272
Esta resenha NÃO tem spoilers!


Estou cada vez mais encantada com a escrita do Matthew Quick. Gosto do fato de suas obras serem fluídas, envolventes e abordarem temas tabus raramente tratados na literatura. Em Garoto 21, por exemplo, somos incitados a refletir sobre discrepância social, criminalidade e marginalidade, comércio de drogas e até mesmo sobre o abuso político das máfias regionais. E tudo isso pela perspectiva de um jovem que, apesar de ser uma vítima constante da violência, ama o basquete o suficiente para esquecer os traumas do passado e sonhar com um futuro longe de tudo o que um dia fez mal a ele e a família. O basquete aqui, assim como o esporte é para inúmeros jovens espalhados pelo mundo, é o bote salva-vidas de um garoto calado e sonhador. E, apesar de não ter amado completamente o livro, confesso que adorei todas essa reflexões que ela gera.








  A trama é toda narrada por Finley e, exatamente por isso, é muito rápida e fácil de ler. O protagonista é do tipo que prefere ficar calado, que tem medo de expressar sua opinião e de abrir feridas esquecidas. O ponto é que ele está preso no próprio medo, então leva uma vida segura ao lado do pai, do avô, da namorada e dos colegas de time de basquete. Só que quando o Garoto 21 aparece em sua vida – Russ, jovem que perdeu os pais recentemente – tudo vira de pernas para o ar; o basquete não é mais o mesmo, a vida familiar mudou, a relação com Erin se transformou, e os planos antigos de Finley perderam valor. Assim, temos uma obra sobre amadurecimento, crescimento pessoal, amizade, descobertas e superação do passado. Russ e Finley, através o basquete, começam a escavar o passado, abrir e curar velhas feridas, e lutar por um novo futuro. E eu, definitivamente, amei isso. Adoro livros que focam no amadurecimento de seus protagonistas, e é perceptível o quanto Finley muda ao longo da leitura. Além disso, a personalidade introspectiva do personagem é do tipo que cativa e encanta o leitor. Sabemos que ele esconde algo, então tudo que queremos é vê-lo livre do medo e verdadeiramente feliz.


Além da personalidade do Finley e da jornada de amadurecimento protagonizada por ele, o livro também traz como ponto positivo laços fortes e reais de amizade, drama familiares que dão voz à disparidade social e financeira de nossa sociedade, e situações que nos fazem refletir sobre as consequências da criminalidade e do tráfico de drogas – aqui o autor coloca em xeque o fato de que, na grande maioria das vezes, você não precisa estar completamente envolvido com o tráfico para se tornar uma vítima dele. O único ponto negativo que consegui ver, e que acabou diminuindo minha percepção positiva da obra, foi o final. Achei o desfecho muito abrupto e insatisfatório. Claro que racionalmente entendo a proposta do autor, mas acho que Finley, Russ e Erin mereciam um desfecho um pouco mais elaborado. Ainda assim, não nego que adorei o livro, esses personagens e todas as reflexões geradas pela obra. Indico a leitura para os que gostam de histórias jovens, divertidas e com um toque de drama.

[Resenha]: Boneca de Ossos - Holly Black

10 fevereiro 2017

Sinopse:Poppy, Zach e Alice sempre foram amigos. E desde que se conhecem por gente eles brincam de faz de conta – uma fantasia que se passa num mundo onde existem piratas e ladrões, sereias e guerreiros. Reinando soberana sobre todos esses personagens malucos está a Grande Rainha, uma boneca chinesa feita de ossos que mora em uma cristaleira. Ela costuma jogar uma terrível maldição sobre as pessoas que a contrariam. Só que os três amigos já estão grandinhos, e agora o pai de Zach quer que ele largue o faz de conta e se interesse mais pelo basquete. Como o seu pai o deixa sem escolha, Zach abandona de vez a brincadeira, mas não conta o verdadeiro motivo para as meninas. Parece que a amizade deles acabou mesmo...





Zach, Alice e Poppy são três crianças cujas brincadeiras tomam vida através da grande imaginação que eles possuem. Piratas, monstros, heróis e rainhas tiranas...tudo é possível e pode tomar forma quando as histórias fantásticas de seus personagens se cruzam. Porém, quando um de seus brinquedos é obrigado a abandonar a diversão e parece não gostar disso, fica claro que a história não quer ser deixada para trás. A Rainha, uma boneca de porcelana de aparência assustadora que observou e participou de cada uma de suas aventuras, resolve que dessa vez ela tem sua própria história para contar. Será que crescer é realmente deixar para trás algo que se ama?
“Odeio o fato de todo mundo chamar isso de crescer, mas parece que é morrer.”
Quando Boneca de Ossos chegou até mim para resenha, confesso que esperava uma leitura provavelmente muito infantil para realmente conseguir ser cativada. Mas, a cada página lida, eu fui mergulhando na narrativa e amando a atmosfera criada por Holly Black que, com maestria, nos entregou uma história de terror sem jamais perder todos os traços e magia da infância.
A escrita do livro também corre em um ritmo muito gostoso, dividindo-se bem entre momentos sombrios, doces e cheios de toque de imaginação o que, por fim, nos deixa com as mesmas dúvidas que os próprios personagens: até que ponto a aventura na qual embarcaram e tudo aquilo que estavam vivendo era real? Será que tudo não passa de uma criação dessas mentes infantis sedentas por uma aventura de verdade, sem personagens, onde eles de fato eram os principais heróis?



Fofo e, por vezes, assustador Boneca de Ossos é aquele tipo de história que você pega sem reais expectativas, mas que realmente te surpreende. Além de te levar de volta a uma época bem menos tecnológica (se você tiver mais ou menos a minha idade... – risos!) na qual a imaginação era a principal ferramenta usada para brincar e, através dela, fazer e ser coisas que só poderíamos mesmo experimentar assim. Boneca de Ossos tem gosto de infância, de primeiro livro a nos encantar e apresentar ao mundo da literatura... e é com certeza mais do que indicado por mim.
“Ele se perguntava se crescer era descobrir que a maioria das histórias não passava de mentira.”

[Resenha]: A Profecia do Pássaro de Fogo - Melissa Grey

07 fevereiro 2017

Sinopse:No subterrâneo de lugares onde é muito difícil chegar, duas antigas raças travam uma guerra milenar: os Avicen, pessoas com penas no lugar de cabelos e pelos; e os Drakharin, que têm escamas sobre a pele. Ambas possuem magia correndo nas veias, o que os esconde de todos os humanos menos de uma adolescente chamada Echo. Echo conheceu os Avicen quando era criança, e desde então eles são sua única família. A pedido de sua tutora, a garota começa uma jornada em busca do pássaro de fogo, uma entidade mítica que, segundo uma velha profecia, é a única forma de acabar com a guerra de vez. Mas Echo precisa encontrar o pássaro antes dos Drakharin, ou então os Avicen podem desaparecer para sempre






Há milhares de anos aconteceu uma guerra sem nosso conhecimento. Dois povos capazes de usar magia brigam entre si: os Avicen, criaturas com penas no lugar de cabelos e pelos, e os Drakharin, criaturas com escamas que remetem aos dragões. Eles estão em guerra há tanto tempo que nem lembram mais o motivo pelo qual brigam, sabem apenas que são inimigos. No meio dessa confusão está Echo, uma dolescente que foi encontrada ainda criança pela Ala, que faz parte do conselho Avicen, e vive sob sua proteção. Além da Ala, alguns adolescentes Avicen são a única família que Echo conhece e ama, e por isso ela aceita partir em uma missão suicida para encontrar o Pássaro de Fogo: a única coisa que pode acabar com a guerra e trazer paz entre os dois povos. Mas Echo não faz ideia do que seja o tal pássaro.

Em sua aventura, Echo se depara com a difícil tarefa de continuar sua missão e manter seus amigos vivos. Entre as muitas surpresas está a aliança nada convencional que a menina forma com dois Drakharin: Caius, um homem sério, charmoso, e que esconde um passado nebuloso com os Avicen, e Dorian, fiel companheiro e melhor amigo de Caius. De uma forma inesperada a vida de Echo cruza com a de Caius e eles se veem forçados a colaborar um com o outro para por fim a essa guerra. Mas cá entre nós, quem não quer um guerreiro alto, forte, bonito e charmoso por perto quando sua vida está em risco? Na companhia dos Drakarin e de seus amigos Avicen, Ivy e Jasper, Echo percorre o mundo em busca do Pássaro de Fogo e acaba descobrindo mais do que esperava.

  Há muito tempo não encontrava uma fantasia que me envolvesse tanto e que não fosse previsível – A Profecia do Passáro de Fogo se encaixa nessa característica e me prendeu já nas primeiras páginas! No início somos apresentados ao povo Avicen sob a ótica de Echo. Como ela sempre viveu com eles, a menina aprendeu a amar e admirar esse povo, mesmo sem se sentir de todo aceita. Entretanto, as coisas mudam pois a história é narrada na terceira pessoa e, assim como Game Of Thrones, cada capítulo é narrado sob a ótica de um personagem e dessa forma vamos conhecendo mais desse universo (que faz referências constantes ao Senhor dos Anéis, o que é bem legal) e desses personagens.

O livro mistura aventura, romance e fantasia na medida certa. Não é uma história difícil de acreditar e o romance não é aquela melação toda. A aventura e suspense são bem equilibrados e até os personagens mais desagradáveis são verossímeis. Gostei muito do primeiro volume e espero ansiosa pelas perguntas que o próximo volume vai responder. O primeiro mantém segredo quanto ao passado de Echo e creio que é parte de algo maior que será revelado no segundo. Simplesmente amei. Cinco estrelas com orgulho.

• Sobre a Série •



A Profecia do Pássaro de Fogo é o primeiro volume da trilogia Echo. Por enquanto, apenas o primeiro livro foi lançado (e a previsão da autora é publicar o segundo em 2016 e o terceiro em 2017).

[Resenha]: Eu Estou aqui- Clélie Avite

04 fevereiro 2017

Sinopse: No cenário frio e asséptico de um hospital surge a paixão entre Elsa, uma montanhista em coma há cinco meses depois de cair durante uma escalada, e Thibault, que se refugia no quarto da moça, por não querer visitar o irmão, o motorista bêbado que causou a morte de duas adolescentes num acidente automobilístico. Delicadamente composto, o romance mostra o envolvimento gradual entre dois personagens cuja comunicação se dá instintivamente. Enquanto Thibault pode conversar e incentivar Elsa a retomar o domínio de suas ações, a jovem ouve, percebe e sente toques em seu corpo, mas não tem como comunicar seus desejos e anseios. Os dois passam a se conhecer tanto pelo que transmitem um ao outro – Thibault em suas confidências, Elsa tentando demonstrar que corresponde a seus estímulos – quanto pelo que os amigos da montanhista comentam a respeito do rapaz ou falam a ele sobre Elsa. Junto da moça em coma, Thibault sente-se tranquilo e protegido da revolta contra o irmão, internado em estado grave no mesmo hospital. Elsa, embora cercada pela família e por amigos, se entusiasma com a ousadia de Thibault, que não se acanha em beijá-la. E quando os parentes discutem a possibilidade de desligar os aparelhos que a mantêm viva, é com ele que Elsa conta para lutar por sua própria sobrevivência. Narrado em primeira pessoa, alternando os relatos dos dois protagonistas, Clélie Avit consegue abordar problemas universais e atuais, como eutanásia, violência no trânsito e alcoolismo. As novas famílias urbanas também se superpõem aos laços biológicos. Thibault acompanha a mãe ao hospital, mas se recusa a enfrentar a situação do irmão, à beira da morte por um desastre causado por irresponsabilidade



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Foi paixão á primeira vista. Tudo me encantou em Eu Estou aqui: a capa, a sinopse e a premissa que promete um romance arrebatador entre uma mulher em coma e um completo desconhecido. Desde o começo sabia que o livro seria romântico e previsível, e pude comprovar isso durante a leitura, contudo logo na primeira página soube que essa história aqueceria meu coração. E foi dito e feito. A trama é leve e ao mesmo tempo reflexiva. O romance nasce do imprevisível e, graças a uma narrativa intercalada entre os protagonistas, mergulhamos não apenas em uma história de amor capaz de curar corações, mas também em uma narrativa sincera e cruel sobre a vida adulta e os medos e anseios que ela gera. Lemos sobre o coma, a perda, sobre decepções amorosas e os erros cometidos por homens e mulheres desacreditados, e principalmente sobre o desejo visceral de encontrar e viver um grande amor. Simplesmente amei o livro do inicio ao fim.
  Elsa é movida por aventura. Seu espírito inquieto só encontra paz ao chegar no topo de uma montanha, por isso o montanhismo sempre foi uma das suas grandes paixões – mas isso até ela sofrer um grave acidente e ficar em coma. Já faz alguns meses que Elsa está no hospital com máquinas que respiram no lugar dela. Sem esperança médica de que ela acorde, os amigos e familiares estão despedindo-se aos poucos. Entretanto, recentemente a jovem tomou consciência de que está viva. Ela não consegue falar ou muito menos se mexer, mas escuta todos ao seu redor, portanto precisa provar para os médicos e seus familiares que existe uma mínima esperança de seu corpo reviver. Enquanto isso não acontece, Elsa recebe visitas de pessoas que lamentam sua perda e sofrem por vê-la definhar em um quarto de hospital. O único visitante que muda o clima do quarto – geralmente permeado pela desilusão – é Thibault. Ele só está ali para visitar o irmão e precisa de um lugar calmo para respirar fundo e deixar todos os dramas familiares de lado. E é exatamente em uma dessas andanças pelo hospital que Thibault entra sem querer no quarto de Elsa. O encontro entre um homem perdido e uma mulher em coma não poderia ser mais inusitado, pois sem ao menos perceber ambos vão se apaixonar e sonhar com o dia que poderão viver esse tão belo amor.
A narrativa é intercalada entre os dois: Elsa, ouvindo todos ao seu redor, sentindo-se impotente, ficando cada vez mais encantada com as visitas de Thibault, e no final querendo com todas as forças abrir os olhos e voltar a viver plenamente. E Thibault, lidando com o divorcio recente, com os dramas da família e do acidente do irmão, com a vontade de ser feliz no amor, e se aproximando cada vez mais de Elsa – essa mulher que ele só conhece de conversar com os visitantes dela. Enquanto estão separados eles lidam com seus próprios medos e inseguranças, mas juntos eles esquecem de tudo e passam a sonhar cada vez mais com um final feliz. E isso é exatamente o que mais cativa na leitura, o quanto os personagens se entregam ao sonho de ver Elsa sair do coma. Como leitora romântica que ama histórias assim, de paixões impossíveis, fiquei completamente encantada com Thibault. Adoro personagens masculinos reais, e aqui temos um protagonista inseguro, solitário e sonhador o suficiente para se apaixonar por uma mulher em coma. Além disso, Thibault é do tipo que, mesmo machucado pelo amor, não vê a hora de recomeçar. Ele quer ter fé que um dia terá ao seu lado uma boa mulher e que juntos construirão uma família. E eu amei tanto isso, amei ver no personagem esse desejo de ser feliz.
Os pontos positivos que me deixaram encantada com o livro: a narrativa intercalada, a veracidade por trás dos medos dos protagonistas, a personalidade vívida e palpável desse homem incrível que é Thibault, o clima de tensão e romance que permeia a história do início ao fim, a narrativa rápida que deixa a leitura fluída e contagiante, e o final que – apesar de previsível – foi muito emocionante. No geral, a obra foi exatamente tudo o que eu precisava quando comecei a lê-la: um livro fofo, romântico e rápido de ler. O bacana é ler a história sem grandes expectativas e deixar-se surpreender por ela. Além disso, vale dizer que apesar de falar sobre temas complexos a história é leve e romantizada. Eu amei, acho que os fãs de romances vão adorar essa leitura.


[Resenha] A Segunda Vez Que Te Amei – Leila Rego

03 fevereiro 2017

Sinopse: André e Juli pareciam ter nascido um para o outro. Depois de seis anos de casamento, e sendo também sócios em um restaurante, as coisas, porém, já não eram o conto de fadas do início. Na verdade, sentiam que estavam vivendo mesmo o lado mais sombrio da sua história. Raquel e Alberto tinham a vida perfeita: empregos glamorosos, com rendimentos que permitiam um alto padrão de vida, um filho carinhoso e saudável, o apartamento dos sonhos, férias sempre inesquecíveis… mas um fato inusitado faria com que aquele castelo encantado estivesse prestes a ruir. A vida, no entanto, traça caminhos inesperados. E o que parecia não ter saída de repente se transforma em uma encruzilhada, na qual André, Juli, Raquel e Alberto podem se encontrar e agarrar a nova chance para a felicidade, trazendo para suas vidas mais amor, paixão, emoção e companheirismo, e assim conseguir viver como sempre sonharam. Inclusive com final feliz! 




Quem me conhece sabe que eu sou uma apreciadora da literatura brasileira. Acho que nosso país tem inúmeros autores fantásticos. E nas minhas buscas mais recentes por obras nacionais tive a felicidade de conhecer as obras da Leila Rego. Meu primeiro contato foi através do livro Amigas (Im)Perfeitas, que eu gostei muito. Acho que cheguei a classificá-lo como nota quatro no Skoob. Assim, logo que a Editora Gutenberg lançou a obra A Segunda Vez Que Te Amei resolvi passá-lo na frente da minha lista de leituras.
Inicialmente o que mais me chamou atenção foi o título. A premissa subentendida nesse elemento por si só já despertou minha curiosidade. No entanto, acho que um spoiler gigante ficou nas entrelinhas. Como eu não me incomodo com isso, por mim tudo bem. Vale dizer que achei que a capa, além de linda, se encaixou muito bem no contexto da história. Foi genial! Aprovei a diagramação e não achei nenhum erro grotesco que prejudicasse a edição. A narrativa é em terceira pessoa e os capítulos são intercalados entre o ponto de vista dos personagens principais. Particularmente acho que essa disposição enriquece muito o texto e nos dá uma visão mais real da história. A leitura é muito fácil, rápida e agradável.
O livro nos conta a história de dois casais: André e Juli, Raquel e Alberto.  Os primeiros são casados há seis anos, não tem filhos e trabalham juntos em um restaurante de propriedade deles. André é apaixonante, aquele tipo de homem que faria qualquer mulher feliz. Ele é educado, carinhoso, paciente, romântico e fiel. Faz de tudo para resgatar o relacionamento que tinha com a mulher no início do casamento. Mas Juli já não é mais a mesma. Super dedicada ao trabalho, ela desconta todos os problemas no marido e ignora completamente as tentativas dele de resgatar o que tinham antes.
Já Raquel e Alberto têm o casamento perfeito. Pelo menos é o que ela achava. Eles são os pais de Pedro, moram em um belo apartamento, ambos com empregos bons que proporcionam uma vida financeira estável. No entanto Alberto não era tão feliz quanto demonstrava e um fato inusitado faz o conto de fadas desmoronar.
Em determinado momento da história a vida desses casais se cruzam. Não posso dar mais detalhes sob pena de soltar algum spoiler, mas posso afirmar que, apesar do título e de cara acharmos que o final será bem previsível, este me surpreendeu muito. Não imaginava a direção que a autora conduziu a história.


“Quando não lhe restar mais nada para lembrar, lembre-se de como você me faz sorrir quando estou sozinha”.


O que me fez apaixonar pelo livro e colocá-lo na minha lista de favoritos foi o fato de que a história é muito real, capaz de acontecer com qualquer um de nós. A todo o momento nos vemos compelidos a refletir sobre relacionamentos, perdão, escolhas, rotina e problemas muito comuns, que vivenciamos no nosso dia-a-dia.
Por fim, acho que vale a pena transcrever essa citação da Clarissa Corrêa que a autora colocou no início do livro:



“Um dia você conhece uma pessoa que te faz sentir nas nuvens, mesmo com os pés no chão. E a vida ganha nova forma, novos tons, novos sons. Você começa a acreditar que tudo tem um significado e uma resposta bonita. Um dia a vida dá uma reviravolta e, quando você olha para os lados, não enxerga ninguém. E começa a questionar tudo o que aprendeu e viveu. Tenta segurar a mão do passado, que sai correndo sem olhar para trás. Procura qualquer sinal, uma luz que diga para onde você deve ir. Sem sucesso, sem uma palavra amiga. Um dia você entende que o tempo não é inimigo. E que ele é nosso maior mestre. Que tudo vem na hora que deve vir. Que não adianta espernear nem se esconder da vida. Que a fuga não é a melhor saída. E que no fim das contas a gente sempre acaba agradecendo tudo o que passou. Porque o tempo (ah, o tempo!) está sempre ao nosso lado para nos mostrar o que realmente vale a pena”.

[Resenha]: Perdão, Leonard Peacock.

02 fevereiro 2017

Jovem Adulto Maduro | 224 Páginas | Editora Intrínseca |Compare & Compre: Saraiva • Submarino • Amazon| Classificação: 4,5/5
sinopse:
 Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto
 Eis um fato sobre mim: amo livro jovens com alto teor reflexivo. Acredito que ao mesmo tempo em que devemos agradecer por termos saído ilesos do ensino médio, também temos que cuidar daqueles que carregam grandes sequelas causadas pelo abuso e por bullying tão comum entre os jovens. Para muitos o ensino médio, ou o período escolar como um todo, é extremamente cruel. Portanto, gosto de livros que falam sobre as típicas dificuldades de um jovem adulto e incitam no leitor a vontade de mudar e de refletir sobre suas ações. Assim, é claro que estava com altas expectativas para a leitura de Perdão, Leonardo Peacock. Afinal, Matthew Quick promete discorrer sobre temas complexos e dolorosos que podem levar um jovem a cometer o suicídio – o que por si só foi capaz de alimentar minha curiosidade. Entre grandes expectativas e muitas surpresas, a história do jovem Leonardo cumpriu o prometido e, além de me ensinar valiosa  lições,foi capaz de marcar meu coração.
 A trama gira em torno do aniversário de dezoito anos do Leonardo Peacock, dia em que ele decidiu matar um colega de escola – um valentão cruel disfarçado de popular – e se matar. A narrativa mescla: o dia que Leonardo está tendo e a forma como ele se despede de algumas pessoas importantes, memórias do personagem sobre fatos e dias fundamentais para sua formação, o passar das horas e o esperado momento em que ele espera atirar no seu alvo e depois explodir seus próprios miolos, e algumas cartas de pessoas do futuro que conhecem Leonardo e apelam para que ele tenha fé e não se mate. Inicialmente, intercalada entre fatos e memórias, a narrativa aparenta ser ilógica e confusa. Entretanto, conforme vamos mergulhando na mente do protagonista, descobrindo os motivos por trás de sua vontade de cometer suicídio e enxergando nele seus verdadeiros medos e anseios, passamos a amar a história e cada um de seus mistérios. – Por que será que Leonardo quer se matar? Por que ele quer matar apenas um determinado colega da escola? E, a pergunta principal, será que ele terá coragem de colocar seus planos de suicídio em prática?


Eu me sinto como se estivesse quebrado. Como se eu nunca mais pudesse me ajustar. Como se não houvesse mais lugar para mim no mundo ou algo assim. Como se eu tivesse ultrapassado o meu tempo de estadia aqui na Terra, e todo mundo estivesse constantemente tentando me dar dicas sobre isso. Como se eu devesse apenas ir embora.
O interessante na narrativa é interpretar os apelos por trás da figura de Leonardo. Desde o começo senti que o suicídio foi escolhido pelo garoto como válvula de escape, como fuga da solidão, do abandono e desprezo da mãe, dos traumas do passado, e do medo do futuro não melhorar. Portanto, ficou fácil perceber que Leonardo está buscando, com todas as forças, um motivo para ter esperança. Mesmo no fundo do poço ele quer acreditar que o futuro será diferente, o problema é que ninguém parece se preocupar o suficiente com ele para conceder ao jovem uma migalha de fé no amanhã. Essa característica, sem dúvida, foi o que mais me marcou: os apelos silenciosos do protagonista, sua forma simples e direta de ver a vida, e suas tentativas desenfreadas de lutar por algo ou por alguém, por qualquer coisa semelhante à felicidade. Leo me deu várias lições; ele me ensinou a valorizar a vida, a aproveitar cada dia que me é dado, a enxergar o quanto a vida é limitada e o quanto é fundamental fazermos o que realmente amamos (principalmente quando o assunto é trabalho), e reavivou em mim a importância de respeitarmos e entendermos às diferenças. Leo é o tipo de personagem que nos faz refletir, mudar e enxergar nossas falhas. E eu amei isso, amei o quanto ele tocou meu coração.

Feche os olhos e tente ver o mundo com seu nariz — permita que o olfato seja a sua visão. Ponha o sono em dia. Ligue para um velho amigo que você não vê há anos. Arregace as pernas da calça e entre no mar. Assista a um filme estrangeiro. Alimente esquilos. Faça alguma coisa! Qualquer coisa! Porque você inicia uma revolução, uma decisão de cada vez, toda vez que respira. Só não volte para aquele lugar miserável para onde vai todos os dias. Mostre-me que é possível ser adulto e também ser feliz. Por favor.


 O retorno para casa sempre aumenta minha depressão, porque essas pessoas são livres — estão voltando do trabalho para as famílias que eles mesmos escolheram e constituíram — e ainda assim não parecem felizes. Eu sempre me pergunto se é assim que Linda fica quando dirige até em casa, vindo de Nova York: tão completamente miserável, com cara de zumbi, enganada. Será que ela se parece com a mãe de um monstro?


Além de um protagonista emocionante e verdadeiro (até mesmo em suas falhas), o livro aborda temas importantes como preconceito, bullying, abandono familiar e suicídio. E o bom é que o autor fala sobre tais assuntos com propriedade e simplicidade, mostrando ao leitor os fatos sem rodeios e meias-verdades; e é disso que precisamos, de livros que falem sobre experiências negativas sem romantização ou dramatização excessiva. Amei essa característica do livro, assim como amei sua narrativa e a personalidade do Leo. O único defeito da obra é o final. Já sabia (ou melhor, tinha quase certeza) como seria o desfecho, portanto não foi a previsibilidade que me irritou, mas sim a maneira abrupta da narrativa terminar. Claro que o autor fez seu ponto e respondeu parte de nossas perguntas, mas sinto que merecíamos saber mais – não só para saciar a curiosidade do leitor, mas também para auxiliar outros jovens na mesma situação.
No geral, apesar do final, o livro é magnifico e reflexivo. Tirei vários ensinamentos da obra e acho que, desde que a leitura seja feita despretensiosamente e livre de julgamentos, a história tem tudo para ficar em nossos corações.

Beijos,

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