03 fevereiro 2017

[Resenha] A Segunda Vez Que Te Amei – Leila Rego

Sinopse: André e Juli pareciam ter nascido um para o outro. Depois de seis anos de casamento, e sendo também sócios em um restaurante, as coisas, porém, já não eram o conto de fadas do início. Na verdade, sentiam que estavam vivendo mesmo o lado mais sombrio da sua história. Raquel e Alberto tinham a vida perfeita: empregos glamorosos, com rendimentos que permitiam um alto padrão de vida, um filho carinhoso e saudável, o apartamento dos sonhos, férias sempre inesquecíveis… mas um fato inusitado faria com que aquele castelo encantado estivesse prestes a ruir. A vida, no entanto, traça caminhos inesperados. E o que parecia não ter saída de repente se transforma em uma encruzilhada, na qual André, Juli, Raquel e Alberto podem se encontrar e agarrar a nova chance para a felicidade, trazendo para suas vidas mais amor, paixão, emoção e companheirismo, e assim conseguir viver como sempre sonharam. Inclusive com final feliz! 




Quem me conhece sabe que eu sou uma apreciadora da literatura brasileira. Acho que nosso país tem inúmeros autores fantásticos. E nas minhas buscas mais recentes por obras nacionais tive a felicidade de conhecer as obras da Leila Rego. Meu primeiro contato foi através do livro Amigas (Im)Perfeitas, que eu gostei muito. Acho que cheguei a classificá-lo como nota quatro no Skoob. Assim, logo que a Editora Gutenberg lançou a obra A Segunda Vez Que Te Amei resolvi passá-lo na frente da minha lista de leituras.
Inicialmente o que mais me chamou atenção foi o título. A premissa subentendida nesse elemento por si só já despertou minha curiosidade. No entanto, acho que um spoiler gigante ficou nas entrelinhas. Como eu não me incomodo com isso, por mim tudo bem. Vale dizer que achei que a capa, além de linda, se encaixou muito bem no contexto da história. Foi genial! Aprovei a diagramação e não achei nenhum erro grotesco que prejudicasse a edição. A narrativa é em terceira pessoa e os capítulos são intercalados entre o ponto de vista dos personagens principais. Particularmente acho que essa disposição enriquece muito o texto e nos dá uma visão mais real da história. A leitura é muito fácil, rápida e agradável.
O livro nos conta a história de dois casais: André e Juli, Raquel e Alberto.  Os primeiros são casados há seis anos, não tem filhos e trabalham juntos em um restaurante de propriedade deles. André é apaixonante, aquele tipo de homem que faria qualquer mulher feliz. Ele é educado, carinhoso, paciente, romântico e fiel. Faz de tudo para resgatar o relacionamento que tinha com a mulher no início do casamento. Mas Juli já não é mais a mesma. Super dedicada ao trabalho, ela desconta todos os problemas no marido e ignora completamente as tentativas dele de resgatar o que tinham antes.
Já Raquel e Alberto têm o casamento perfeito. Pelo menos é o que ela achava. Eles são os pais de Pedro, moram em um belo apartamento, ambos com empregos bons que proporcionam uma vida financeira estável. No entanto Alberto não era tão feliz quanto demonstrava e um fato inusitado faz o conto de fadas desmoronar.
Em determinado momento da história a vida desses casais se cruzam. Não posso dar mais detalhes sob pena de soltar algum spoiler, mas posso afirmar que, apesar do título e de cara acharmos que o final será bem previsível, este me surpreendeu muito. Não imaginava a direção que a autora conduziu a história.


“Quando não lhe restar mais nada para lembrar, lembre-se de como você me faz sorrir quando estou sozinha”.


O que me fez apaixonar pelo livro e colocá-lo na minha lista de favoritos foi o fato de que a história é muito real, capaz de acontecer com qualquer um de nós. A todo o momento nos vemos compelidos a refletir sobre relacionamentos, perdão, escolhas, rotina e problemas muito comuns, que vivenciamos no nosso dia-a-dia.
Por fim, acho que vale a pena transcrever essa citação da Clarissa Corrêa que a autora colocou no início do livro:



“Um dia você conhece uma pessoa que te faz sentir nas nuvens, mesmo com os pés no chão. E a vida ganha nova forma, novos tons, novos sons. Você começa a acreditar que tudo tem um significado e uma resposta bonita. Um dia a vida dá uma reviravolta e, quando você olha para os lados, não enxerga ninguém. E começa a questionar tudo o que aprendeu e viveu. Tenta segurar a mão do passado, que sai correndo sem olhar para trás. Procura qualquer sinal, uma luz que diga para onde você deve ir. Sem sucesso, sem uma palavra amiga. Um dia você entende que o tempo não é inimigo. E que ele é nosso maior mestre. Que tudo vem na hora que deve vir. Que não adianta espernear nem se esconder da vida. Que a fuga não é a melhor saída. E que no fim das contas a gente sempre acaba agradecendo tudo o que passou. Porque o tempo (ah, o tempo!) está sempre ao nosso lado para nos mostrar o que realmente vale a pena”.