[Resenha] Dama da Meia Noite - Cassandra Clare

03 outubro 2017

Em um mundo secreto onde guerreiros meio-anjo juraram lutar contra demônios, parabatai é uma palavra sagrada. O parabatai é o seu parceiro na batalha. O parabatai é seu melhor amigo. Parabatai pode ser tudo para o outro mas eles nunca podem se apaixonar. Emma Carstairs é uma Caçadora de Sombras, uma em uma longa linhagem de Caçadores de Sombras encarregados de protegerem o mundo de demônios. Com seu parabatai Julian Blackthorn, ela patrulha as ruas de uma Los Angeles escondida onde os vampiros fazem festa na Sunset Strip, e fadas estão à beira de uma guerra aberta com os Caçadores de Sombras. Quando corpos de seres humanos e fadas começam a aparecer mortos da mesma forma que os pais de Emma foram assassinados anos atrás, uma aliança é formada. Esta é a chance de Emma de vingança e a possibilidade de Julian ter de volta seu meio-irmão fada, Mark, que foi sequestrado há cinco anos. Tudo que Emma, Mark e Julian têm a fazer é resolver os assassinatos dentro de duas semanas antes que o assassino coloque eles na mira. Suas buscas levam Emma de cavernas no mar cheias de magia para uma loteria sombria onde a morte é dispensada. Enquanto ela vai descobrindo seu passado, ela começa a confrontar os segredos do presente: O que Julian vem escondendo dela todos esses anos? Por que a Lei Shadowhunter proíbe parabatais de se apaixonarem? Quem realmente matou seus pais e ela pode suportar saber a verdade? A magia e aventura das Crônicas dos Caçadores de Sombras tem capturado a imaginação de milhões de leitores em todo o mundo. Apaixone-se com Emma e seus amigos neste emocionante e de cortar o coração no volume que pretende deliciar tantos novos leitores como os fãs de longa data

Meu relacionamento com a Cassandra Clare vai muito além dos doze livros dela que tive o prazer de ler. Amo sua narrativa instigante e misteriosa, seus personagens marcantes e charmosos, suas histórias conectadas e inteligentes e, principalmente, seus romances apaixonantes e emocionantes. Ela é, sem dúvida, uma das minhas autoras preferidas. E é dela também, através de um dos triângulos amorosos mais incríveis que já vi na literatura, o posto de romance de fantasia preferido da vida – nunca vou superar o final de Princesa Mecânica. Entretanto, imaginei que chegaria uma hora que a autora e suas fantasias já não me envolveriam tanto, e confesso que pensei que esse momento seria com Dama da Meia Noite. Ledo engano! Mais uma vez, a autora ganhou meu coração, minha atenção e minha mente. Mergulhei de cabeça nessa leitura, devorei suas páginas repletas de aventura e mistério, amei seus personagens, e me apaixonei perdidamente pelo romance. Sabe histórias de amor impossíveis, lindas e dolorosas? Pois bem, Dama da Meia Noite é o início de uma trilogia que une jogos de poder, mortes e perseguições, e um amor proibido extremamente tocante. Ou seja, é impossível não amar esse livro.

Fantasia | 574 Páginas | Cortesia Editora Galera Record| Skoob | Compare & Compre: Submarino • Saraiva • Amazon| Classificação: 5/5
A trama gira em torno de Emma Carstairs e de seu parabatai Julian Blackthorn. Os jovens são amigos desde pequenos e juntos, quando ainda tinham doze anos, participaram de uma batalha sangrenta protagonista por Sebastian Morgenstern; é por causa da ganância do Sebastian que Emma e Julian foram arrancados do seio de suas famílias e viveram momentos de luta e dor. Anos depois da grande guerra, Emma ainda sonha com o dia em que encontrará o verdadeiro assassino de seus pais – ela não acredita que Sebastian tenha sido o responsável pela morte deles (afinal os dois foram encontrados afogados e com o corpo cheio de marcas antigas e irreconhecíveis). Enquanto Julian, após a morte do pai e da iminente responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos, tenta apelar para a Clave devolver seus familiares que são descendentes de fadas, já que desde a grande guerra os Caçadores de Sombra entraram em um período de paz fria que exilou e penalizou todos aqueles que são do reino das fadas. A vida desses dois jovens é rodeada de sacrifícios, dor e, principalmente, de perguntas não respondidas. E mais uma vez eles serão testados: outras mortes estranhas, semelhantes a dos pais de Emma e envolvendo fadas, estão acontecendo aos arredores de Los Angeles. Desafiados pelo líder dos povos das fadas (que tem um interesse pessoal em desvendar esses crimes), Emma e Julian vão burlar as regras da Clave e se envolver em assuntos do submundo. Nesse meio tempo, os jovens vão desvendar perigosos segredos do passado, fazer novos amigos, contar com o retorno do irmão mais velho de Julian (que estava servindo o povo das fadas e que exatamente por isso está completamente mudado e perdido), e descobrir que o laço que os une vai muito além do amor fraternal de um parabatai. Não é permitido se envolver com fadas e muito menos se apaixonar por seu parabatai, contudo é exatamente isso que Emma e Julian estão fazendo. Ou seja, esses jovens estão muito encrencados.
Quando a série Instrumentos Mortais terminou (e sim, Dama da meia Noite possui uma ligação com o final da saga anterior, porém traz um cenário completamente diferente) eu soube que a decisão da Clave de penalizar o povo das fadas – mesmo aqueles que não participaram da grande guerra – resultaria em divisão, discórdia e novas batalhas. Por isso, o que mais gostei na leitura desse livro foi da grande questão social que permeia a trama. O povo das fadas errou, mas as punições da Clave, assim como todas as leis que regem o mundo dos Caçadores de Sombra, foram muito severas. Portanto, ao invés de ensinar uma lição, a Clave incitou nos membros do submundo um sentimento de injustiça e vingança. Achei essas colocações importantes e reflexivas, principalmente porque elas abordam temas importantes como preconceito, favoritismo governamental, e disparidade social (algo que, convenhamos, reflete muito da nossa política atual). Senti que tal abordagem foi inteligente, bem estruturada, e misteriosa o suficiente para deixar o leitor com o coração na mão. Além disso, gostei que pela primeira vez em muitos anos a autora criou personagens que questionam as regras dos Caçadores de Sombra e o poder autoritário da Clave. Emma e Julian sofreram por causa das leis duras, preconceituosas e impessoais criadas pela Clave, e estão cansados dessa excessiva dominação. Ou seja, o livro tem um teor crítico e revolucionário que eu amei. Amo quando a Cassandra Clare torna seus livros instigantes, inteligentes e reflexivos. E amo ainda mais quando ela quebra tabus ao falar de temas como preconceito racial e sexual. – E vocês achando que o livro era só mais uma história de fantasia, não é mesmo?
Outra coisa que eu amei foi como a trama gira em torno do amor proibido. Julian e Emma são parabatais e estão se apaixonando. Essa relação é perigosa e temida, portanto é impossível não sofrer e torcer por esses dois. Achei lindo e tocante como eles lutam para conter esse sentimento e, principalmente, como eles possuem medo da punição caso sejam descobertos. Além disso, amei a personalidade de todos os personagens centrais dessa trama. Como era de se esperar, o livro não gira em torno apenas da história de Julian e Emma. Existem outras tramas e outros romances paralelos que, assim como um quebra cabeças gigante, torna o livro ainda mais cativante e surpreendente. Nesse ponto, entra em questão a personalidade de Julian e o amor dele por seus irmãos. O jovem, depois da grande guerra, carrega nos ombros a responsabilidade de criar e cuidar dos irmãos. Por cinco anos ele foi mais pai do que irmão, então achei lindo não só a entregada e a dedicação desse personagem, como também o fato dele incluir a família em suas decisões. Quando Julian e Emma decidem investigar mais sobre as mortes estranhas que estão acontecendo, eles conversam e incluem os irmãos mais novos de Julian nessa missão. Assim, temos um grande grupo unido em uma mesma intenção, o que significa que é delicioso vê-los trabalhando em conjunto e mostrando nas ações de dia a dia que são uma família unida, carinhosa e dedicada – bem diferente da maioria das famílias de Caçadores de Sombra, por sinal. Amei como Emma foi acolhida por essa família, e amei e chorei muito com Julian e seu coração gigante. Acho lindo esse tipo de personagem que ama sem esperar nada em troca. O que esse jovem faz pelos irmãos é mais do que cuidar e proteger, é entregar um pedaço da sua alma e do seu coração. Tanto Emma quanto Julian, com suas personalidades fortes e seus corações amorosos, entraram para a minha lista de personagens preferidos.
Em suma, temos então: romance proibido, perigosas aventuras e investigações, valiosas discussões sobre o preconceito e as rígidas leis dos Caçadores de Sombras, e incríveis laços de amizade e amor familiar. Ou seja, tudo o que eu mais amo em livros de aventura! Sinto que essa trilogia promete muita ação, emoção e superação. Já estou apaixonada pela trama, pelos personagens, e por esse romance que ganhou meu coração. Indico esse e todos os livros da Cassandra Clare de olhos fechados.
Para os fãs: Só leiam Dama da Meia Noite depois de terminarem As Peças Infernais e Instrumentos Mortais. Nossos personagens preferidos de ambas as séries possuem um papel muito importante na história que está sendo construída pela Emma e pelo Julian.
• Sobre a Série •
Dama da Meia Noite é o primeiro volume da trilogia Os Artifícios das Trevas. Até o momento – e infelizmente – apenas o primeiro livro foi publicado pela autora. A expectativa é que a continuação saia em 2017.


Beijos,

[ Resenha] Outros jeitos de usar a boca - Rupi Kaur

Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Não é segredo o quanto amo narrativas reais e reflexivas. Mesmo que os temas abordados sejam dolorosos ou que a história pareça cruel, amo a sensação de vivenciar as emoções descritas nas páginas de um livro. Portanto, não é surpresa nenhuma o fato de eu ter amado a intensidade por trás da narrativa de Outros Jeitos de Usar a Boca. Lê-lo foi como mergulhar de cabeça nas dores, medos e inseguranças que afligem qualquer ser humano. Os temas abordados não são belos e leves mas, ainda assim, é bonito ver como a autora transforma dores e lembranças ruins em algo bonito e sincero. Resumindo: Estou irremediavelmente apaixonada.



Para quem não sabe a Rupi Kaur ficou famosa ao compartilhar seus poemas nas redes sociais. Ao falar de temas reais que afligem toda a população – principalmente a feminina – a autora ganhou milhares de fãs e, exatamente por isso, resolveu publicar um livro. A ideia da obra era reunir seus poemas e compartilhar, através deles, importantes mensagens sobre preconceito, feminismo, abuso, amor e solidão. Mas uma coisa legal é que os temas dos poemas, que inicialmente vinham exclusivamente do dia a dia da Rupi, mudaram. Em determinado momento a autora passou a receber relatos de seus leitores e, a partir disso, começou a falar de assuntos ainda mais tabus – fatos que ela foi capaz de vivenciar através das histórias compartilhadas por seus seguidores. Ou seja, seus poemas são um tapa na cara da sociedade porque falam de experiências reaisda menina que foi hostilizada pelo namorado, da mulher traída pelo marido, da garotinha maltratada pelos pais, do namorado abandonado, e da sobrinha estuprada pelo tio. Além disso, vale dizer também que o texto (ou um deles) que impulsionou a carreira da autora aborda os estigmas da menstruação, algo que achei surreal de verídico (principalmente quando levamos em conta o quanto somos incitados a não falar publicamente sobre nosso período menstrual, como se isso fosse uma vergonha). Indico esse post para quem quer ver a tradução desse poema específico.
“Nós menstruamos e eles veem como sujeira. como forma de chamar a atenção. doente. um fardo. como se esse processo fosse menos natural que respirar. como se não houvesse uma ponte entre este universo e o anterior. como se esse processo não fosse amor. trabalho. vida. altruísta e impressionantemente belo.”
Entendendo um pouco mais sobre a autora, vamos para o livro. A obra é dividida em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Nesses blocos a autora reúne poemas (e ilustrações também, viu?) de um mesmo tema e descreve histórias de luto, perda, estupro, repressão, tesão, amor, traição, término, perdão e recomeço. É a vida real diante dos nossos olhos, a vida de uma forma meio cruel e sexual em alguns pontos, mas ainda assim é a vida e suas nuances.
O primeiro bloco acabou comigo. Chorei, muito, principalmente nos poemas com teor familiar (me vi em alguns relatos sobre a dificuldade da filha em falar com o pai). No segundo bloco fiquei impressionada, amei como a autora falou do amor sem omitir o desejo, o toque, os beijos... Nesse tópico é importante dizer que, apesar do conteúdo sexual, Rupi Kaur usa as palavras com cuidado, trabalhando com duplos sentidos e sem a necessidade de ser obscena. No terceiro tópico, sobre a ruptura, fiquei incomodada. Ler sobre términos, mentiras, dores, traições, tentativas e erros nunca é fácil. E por último fiquei aliviada. A sensação é que, não importa a merda que a vida jogue em você, a cura está no final do caminho a sua espera, pronta para reavivar seu coração.
“fique firme enquanto dóifaça flores com a dorvocê me ajudoua fazer flores com a minhaentão floresça de um jeito lindo perigosoescandaloso floresça suavedo jeito que você preferirapenas floresça.”

Esse é o tipo de livro que lemos rápidos, já que são poucas páginas e todas com poemas, mas que ainda assim precisamos ler com calma. Cada página é uma bomba de emoções e sentidos, principalmente quando o leitor se identifica com a história narrada, então é importante ler a obra de coração aberto para todas as emoções – mesmo as tristes e dolorosas – que ela carrega. Acho importante também falarmos sobre a mensagem que a autora traz. Aqui ela nos mostra um pouquinho do dia a dia feminino, da opressão por trás do nosso corpo e das nossas escolhas. Por isso, ele é tido como um livro feminista. E, para mim, Outros Jeitos de Usar a Boca mostra muito bem o que é ser uma verdadeira feminista, provando que o movimento não é esse ato monstruoso que a mídia quer que acreditemos, mas apenas o ideal de esperar que o mundo nos valorize do jeitinho que somos: menstruadas ou não, depiladas ou não, mães ou não, donas de casa ou não, e assim por diante.
Sei que a resenha traz o enfoque no público feminino – e acho que senti isso porque a autora é mulher, porque eu sou mulher e porque fui, constantemente, marcada pelas emoções descritas aqui. Mas esse é o tipo de obra que pode e deve ser lida por qualquer pessoa. E que, se você abrir o coração, poderá te trazer a confiante sensação de vitória: vitória sobre o medo, a dor, o trauma, a depressão. – Porque se no final tudo acaba em cura, quem somos nós para perdermos a esperança?
Simplesmente leiam, vale muito a pena.
Beijos,

[Resenha] A Febre - Megan Abbot

06 setembro 2017

Na Escola Secundária de Dryden, Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir. Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa.


A narrativa de A Febre seguiu um rumo completamente diferente do qual imaginei. A sinopse da história foca no misterioso caso de garotas que, em um surto inexplicável, começam a apresentar sintomas semelhantes: convulsões, dores de cabeça, perda de memória, medo, mania de perseguição, inquietação e muitos outros. A especulação parece girar em torno do que está afetando essas jovens – já que os laudos médicos não encontram uma conclusão lógica. Entretanto, por mais que a trama foque nesse misterioso acontecimento, sinto que a verdadeira mensagem do livro está na abordagem das relações tipicamente juvenis, ou melhor, em como os relacionamentos afetivos podem modificar e nublar as escolhas de um jovem. Por isso A Febre recebeu comparações com o aclamado “Garota Exemplar”, porque a obra vai além do mistério ao descrever dramas dolorosamente reais que, infelizmente, acompanham o desenvolvimento dos adolescentes da atualidade.
Será que pareço diferente? Então se lembrou de ter se perguntado a mesma coisa dois dias antes. Como saber, se as coisas não param de acontecer, provavelmente deixando marcas de formas que não conseguimos enxergar?
A obra conta com três narradores, ambos da mesma família: Deenie, jovem de dezesseis anos; Eli, irmão mais velho de Deenie; e Tom, o pai da jovem protagonista. Os três estão envolvidos no ambiente escolar onde os surtos começam a afetar algumas garotas – Tom como professor e seus filhos como alunos. O bacana da narrativa intercalada é que ela dá uma visão geral da temida febre. Como garota, Deenie vê uma por uma de suas amigas e colegas de escola serem afetadas por sintomas confusos e dolorosos. É horrível ver através dos seus olhos a dor que ela sente por não poder ajudá-las, a confusão de não entender o que está acontecendo, o medo de talvez ser a próxima, e a culpa de imaginar inúmeros motivos que possam ter levado ao início da febre: – Será que Deenie e as amigas estão passando por isso por terem tomado a vacina contra a HPV? Ou talvez por terem entrado no misterioso lago da cidade? Ou talvez o surto tenha relação com seus últimos namoros? Já a visão de Eli dá o panorama dos garotos da escola, mostrando o quanto alguns estão preocupados com as meninas afetadas enquanto outros só sabem aproveitar e caçoar do momento, disseminando o acontecimento através das redes sociais e compartilhando vídeos e fotos das meninas no ápice da febre. E Tom, como pai e responsável, mostra o quanto os pais das garotas estão apavorados. Afinal, se algo assim começasse a acontecer na sua cidade ou/e se você tivesse uma filha adolescente... Você conseguiria dormir sem saber como e, principalmente, do que protegê-la? Ver Tom e todos os pais desesperados, sem saber como agir ou o que fazer, e muitas vezes tomando decisões impensadas por causa do medo, mostra como nós somos completamente vulneráveis..

Suspense | 272 Páginas Cortesia Editora Intrínseca | Skoob Compare:Submarino • Saraiva • Amazon| Classificação: 3,5/5
A parte do mistério do livro é realmente incrível. Demorei um pouco para entender o ponto da autora, mas quando tudo ficou claro, pensei: UAU. Como disse a grande questão da história está na reflexão social por trás do surto, nos motivos aleatórios que influenciaram na desestabilização dessas garotas. A Febre é reflete muitas coisas, as quais nos ajudam a pensar sobre: sexo precoce, mentiras, drogas e pais descuidados que não percebem o quanto suas atitudes podem influenciar negativamente seus filhos. Nesse ponto saliento a posição de Tom como narrador. Ele é pai separado, passou por momentos difíceis, mas julga seus filhos de forma extremamente despreocupada. Depois do abandono da mulher ele criou um laço de dependência com Deenie; ele quer agradá-la então faz praticamente tudo o que ela quer. Enquanto com Eli ele só vê os sinais exteriores, não sabendo quase nada do que realmente diz respeito ao filho. E isso é apenas uma das infinitas reflexões que o livro, e consequentemente a tal febre, nos leva a fazer. Definitivamente adorei esse ponto.
O único problema da obra é que a narrativa é descritiva e extremamente lenta. O mistério em si demora para ser desenvolvido, portanto são páginas e mais páginas sem entendermos muito bem o sentido da história. Até porque, somente quando o mistério engrena é que a lógica por trás da narrativa vem á tona – mesmo momento em que não conseguimos desgrudar das páginas do livro. Portanto o suspense da história é bom, as reflexões sociais presentes na trama são importantes e verdadeiras, e o desfecho segue uma linha racional que me agradou bastante. Contudo, penso que a escrita poderia ser mais fluída em certos pontos para que a obra não ficasse maçante. Também acho que faltou algo, talvez um choque maior de realidade ou uma mudança drástica em certos personagens, para que a leitura fosse tão magnânima quanto prometeu ser. Porém, não nego que gostei da história e que refleti muito com ela – não é segredo que adoro livros capazes de abordar temas polêmicos e reais.
Coisas ruins acontecem e acabam, mas onde vão parar? Elas ficam com a gente para sempre, como parasitas sob a pele?
E para os que perguntam se a leitura vale a pena... Vale sim. O livro tem seus altos e baixos, mas a mensagem por trás do mistério compensa parte das falhas.
• Curiosidades •
A trama do livro foi inspirada em um acontecimento real, ocorrido no estado de Nova York, em 2012.
A obra foi eleita como Livro do Ano pelo Strand Critics Award e apontada entre os finalistas do prestigioso Folio Prize e os melhores do ano da Amazon.
A produtora da atriz Sarah Jessica Parker vai lançar uma série no canal MTV baseada no livro e produzida por Karen Rosenfelt, de A Menina Que Roubava Livros, O Diabo Veste Prada e Crepúsculo.

Beijos,

[Resenha] Dez formas de fazer um coração se derreter - Sarah MacLean

Isabel Townsend não é exatamente o que se espera da filha de um conde. Apesar de ter a pele delicada e de saber se portar como uma dama quando necessário, a jovem também monta a cavalo, conserta telhados, administra a propriedade e cria o irmão caçula desde que a mãe faleceu – tudo isso sem despertar a menor suspeita de que não há um homem sequer para cuidar de sua família.Para o pai dela, que só queria se divertir e gastar dinheiro em jogatinas, pouco importava o que ela fizesse. Porém, quando ele morre, Isabel se vê sem recursos e precisa defender os direitos do irmão, ameaçados pela chegada iminente de um tutor. Assim, não lhe resta saída senão vender sua coleção de estátuas de mármore, o único bem que herdou. Para sorte sua, um especialista em antiguidades acaba de chegar ao condado. Inteligente e sensual, lorde Nicholas St. John é um solteiro convicto que deixou Londres para se livrar das jovens que passaram a persegui-lo desde que foi eleito um dos melhores partidos da cidade.Em poucos dias, fica claro para Nick que Isabel é a mulher mais obstinada e misteriosa – além da mais interessante – que já cruzou seu caminho. Ao mesmo tempo, ao conhecê-lo melhor, a independente Isabel percebe que há homens em que vale a pena confiar. Enquanto eles põem de lado suas antigas convicções, seus corações se abrem para dar uma chance ao amor.

Eis um fato: a Sarah MacLean nunca me decepciona. Mesmo que inicialmente suas histórias pareçam clichês ou excessivamente romantizadas, me conforta saber que sempre encontrarei nelas protagonistas femininas que fogem dos padrões – sejam os impostos pela sociedade inglesa do século XIX ou até mesmo aqueles que vemos na literatura atual. Comumente encontramos protagonistas extremamente inseguras ou devastadoramente independentes. E eu amo o fato da Sarah fugir desse estereótipo e criar personagens com as quais posso me identificar; mulheres que carregam suas cotas de insegurança, mas que nem por isso deixam de correr atrás dos seus sonhos. Tanto é quem em Dez formas de fazer um coração se derreter, apesar do romance divertido e cativante, o foco está na jornada de uma mulher que luta para salvar outras jovens da ruína, acolhendo aquelas que foram repudiadas pela sociedade por terem confiado no homem errado. Assim, misturando romance, bom-humor e superação, Sarah McLean criou uma história atual e sincera sobre empoderamento feminino.

Romance de Época | 352 Páginas | Cortesia Editora Arqueiro| Skoob | Compare & Compre: Submarino • Saraiva •Amazon| Classificação: 4/5
Isabel é filha de um conde, mais precisamente do Conde Perdulário. Como um bom apostador, ele já perdeu bens, riqueza, a dignidade que lhe restava, e até mesmo o respeito da filha. A ausência e o descaso do pai, fizeram de Isabel uma jovem independente e determinada a lutar contra os padrões sociais que permitem que os homens façam tudo que lhes vem à mente sem medir as consequências de seus atos – como, por exemplo, um conde que abandona a família e que gasta todo o dinheiro que deveria prover o sustento de seu lar. E é exatamente por isso que anos atrás ela resolveu abrigar em casa mulheres que precisavam de ajuda: que sofreram abusos dos maridos, que foram abandonadas pelos pais, que engravidaram e precisaram fugir, ou que simplesmente foram renegadas do convívio social. Juntas, essas mulheres dividem as funções da casa e levam uma vida simples, corrida e calma. Porém, o dinheiro está cada vez mais escasso e na intenção de manter seu lar e o sustento dessas jovens mulheres, Isabel terá que tomar uma decisão drástica e vender sua antiga coleção de estátuas gregas – as quais ela ama com todo seu coração. Para acelerar a venda Isabel recorrerá ao melhor avaliador de peças históricas, o Lorde Nicholas, um dos solteiros mais cobiçados de Londres. Depois de ter seu nome listado como um bom partido e ser seguido por todo canto por mães casamenteiras, Nicholas aceita de bom grado o desafio de ficar no interior e ajudar Isabel a vender sua bela coleção. Contudo, a cada dia que passa ao lado dessa jovem ele descobre mais sobre os segredos que ela esconde e, sem querer, acaba tomando para si a causa de provar que nem todos os homens são ruins e irresponsáveis. No fundo, ele quer conquistar a confiança dessa mulher e, quem sabe, até mesmo seu coração.
O que mais gostei na leitura, sem dúvida, foi da causa por trás das escolhas de Isabel. Ela criou um lar para mulheres desamparadas e, mesmo sem o dinheiro necessário para tal empreitada, nunca mediu esforços para ajudá-las. Amo livros de época que focam no romance, contudo amo ainda mais quando essas histórias nos mostram parte da dureza desse período histórico: a pobreza, a guerra, o preconceito e a altíssima disparidade social e, principalmente, a subjugação feminina. Isabel é o tipo de personagem que já sofreu por ser mulher. Mesmo detendo título e status social, a jovem cresceu sob os caprichos de um pai que gastava mais do que tinha, que não ligava para a família, e que vivia apostando a filha em casas de jogos. Por isso, ela pega para si a tarefa de ajudar outras mulheres – com título ou não – que sofrem da mesma forma. E é óbvio que eu amei isso. Amei ver a força de Isabel e seu coração entregue e bondoso, amei ver o lar que ela construiu com ajuda das mulheres que salvou, e amei ainda mais o fato dessas jovens representarem muito bem o que somos: determinadas, resistentes e independentes. Aqui, quando a sociedade grita ou diz que não aceita uma mulher, elas se unem e constroem um novo futuro.
Além da mensagem por trás do livro e da força de Isabel, também adorei o romance. O enlace entre Isabel e Nicholas é bem previsível e clichê, contudo é simplesmente impossível não se apaixonar por esse casal e pela maneira que eles cuidam – mesmo sem querer – um do outro. Fora que, assim como todos os livros da Sarah, o romance é carregado de bom-humor e sensualidade, o que deixa a trama ainda mais cativante e gostosa de ler. Confesso que não achei esse o casal mais arrebatador ou carismático entre os criados pela autora, mas não nego que a história de Isabel e Nicholas me divertiu, emocionou, e ganhou um pedacinho do meu coração. Indico o livro, a série, e todos os romances escritos por essa talentosíssima autora.
• Sobre a Série •

Dez formas de fazer um coração se derreter é o segundo volume da trilogia Os Números do amor. Cada livro é protagonizado por um casal diferente, entretanto é importante lê-los na ordem de publicação (pois os casais estão interligados).
Beijos,

[Resenha] Uma janela para o céu - Marina Machado

28 agosto 2017

Julyana Barocci é o perfeito retrato da mulher contemporânea: ela é determinada, bem-sucedida e tem o emprego dos sonhos. Agora, aos 35 anos, percebe que conquistou tudo o que queria. Bem, quase tudo. Quando o assunto é relacionamentos, o retrato não é tão fiel assim. Em Uma janela para o céu, Julyana narra com bom humor suas aventuras e inseguranças na busca por seu par ideal. Com o súbito aparecimento de seu pai desconhecido, ela descobre os fatos que a fizeram se separar do único namorado a quem amou de verdade – e de quem ficou separada por vinte anos. Essa visitinha do passado veio para esclarecer questões mal-resolvidas ou para complicar a vida de Julyana de vez?

Uma Janela para o Céu me enganou direitinho. A capa e sinopse me venderam um livro romântico, divertido e leve – exatamente o que os chick-lits têm de melhor. Entretanto, apesar de ter tudo isso a trama surpreende por ir além, por focar na história de uma mulher madura, insegura em alguns momentos, e ansiosa por encontrar o amor. Gosto de histórias românticas que abordam temas importantes como perdão, recomeço e amor verdadeiro (não do tipo idealizado, mas aquele que é construído aos poucos, no dia a dia). E a história da Marina tem tudo isso e muito mais.

Chick-Lit| 286 Páginas| Editora Novo Século (Talentos da Literatura Nacional)Skoob | Compare & CompreSaraiva • Amazon Classificação4/5
Julyana acabou de flagrar o namorado em uma cena comprometedora com uma garota bem mais nova. E, como se não fosse suficiente, ela também descobriu que a mãe mentiu a respeito de coisas importantes do seu passado – uma delas, por exemplo, é a identidade do seu pai, aquele com quem ela sempre sonhou conviver mas nunca teve a oportunidade de conhecer. Em um rompante de dor e mágoas, Julyana (que não é mais tão novinha e sente o peso dos seus trinta e cinco anos) resolve tirar um período de férias para voltar para o interior de Minas, região em que sua mãe vive, e confrontar de uma vez por todas o passado. O problema é que ao chegar lá a jovem descobrirá novas mentiras e acabará ainda mais magoada com a mãe, insegura com tudo o que deixou de viver e aproveitar por causa dos segredos de sua família, e ansiosa para superar o passado. E é nessa ânsia por um novo futuro que ela reencontrará um namorado de juventude, alguém que ela sempre amou e amará. – Ou seja, puro clima de mentiras, perdão e reencontros, não é mesmo?
Podemos dizer que Julyana está em crise. Ela está cansada de viver relacionamentos falsos, que duram menos de dois meses, e de sentir que nunca será amada verdadeiramente. Além disso, nossa protagonista quer paixão, companheirismo, amizade e, quem sabe, a oportunidade de criar uma família. Mas parece que Julyana sempre escolhe os caras errados ou que, depois dos trinta, não é mais vista como uma mulher desejada. Como disse, ela está em crise. E achei legal como a autora aborda isso, mostrando as dificuldades que toda mulher encontra nessa fase: sonhos profissionais (ADOREI que a obra aborda esse tema sem deixar que o romance ofusque quem a protagonista é), vontade de superar mágoas e erros antigos (aqui temos a abordagem da ligação da jovem com seus familiares, principalmente com a falta que ela sente da figura paterna), e uma necessidade de ser amada. Como disse no começo da resenha, achei que o livro focaria apenas no romance, mas foi uma surpresa gostosa ver essa mulher – doidinha, briguenta, birrenta em alguns momentos (ás vezes parecia que ela era bem mais nova, juro que queria dar umas sacudidas nela, risos) – descobrir que o amor verdadeiro está, antes de mais nada, no amor próprio. No final o que fica do livro é a jornada da protagonista: erros, vitórias, recomeços e o muito perdão.
Sem dúvida o que mais gostei na leitura foi à jornada de amadurecimento da protagonista e suas conversas, engraçadas e reais, com suas melhores amigas. Elas possuem um grupo no Whats (bem gente como a gente) e conversam sobre tudo e mais um pouco. Identifiquei-me com essas mulheres e torci bastante por elas. Entretanto, um dos pilares mais importantes da história, que é o romance, não me convenceu inteiramente. Logo de cara percebemos dois possíveis pares românticos pra Julyana, seu namorado antigo e um lance proibido com um homem que ela acabou de conhecer. Um deles é real e encantador, o outro é seguro e ao mesmo tempo impossível. Entre escolhas e desejos, percebi que a protagonista perdeu tempo demais com o homem errado (que na realidade não é errado, porque sem ele Julyana não teria embarcado em uma jornada de amadurecimento, mas ainda assim, vai falar isso pro meu coração de leitora...). Queria ter visto a paixão nascer e explodir, o dia a dia e as conversas, e a construção de sonhos. Sinto que a protagonista teve tudo isso, mas não com o homem certo, sabe? Não acho que estou fazendo muito sentido, até porque preciso evitar spoilers, mas em suma digo que senti falta do romance, mesmo percebendo que ele não era o foco da trama.
No geral, temos um livro divertido, cheio de peripécias e planos mirabolantes, e que foca na jornada de amadurecimento da protagonista. Aqui lemos sobre crescimento, superação do passado e a busca pelo amor verdadeiro. Algo que gostei bastante. Recomendo para aqueles que gostam de chick-lits que vão além do esperado e surpreendem por abordar temas mais reflexivos.
• Sobre a Série •

Uma Janela para o Céu é o primeiro volume de, até então, uma duologia. A continuação ainda não tem nome, mas focará no romance de Julyana e nosso mocinho misterioso (enquanto no primeiro vemos essa mulher crescer e amadurecer, no segundo acompanharemos ela pronta pra engatar um romance sério).

[ Resenha ] A Bruxa da Noite - Nora Roberts

25 agosto 2017

De uma das autoras mais queridas do mundo chega uma trilogia sobre a terra a que nos conectamos, a família que guardamos no coração e as pessoas que desejamos amar... Com pais indiferentes, Iona Sheehan cresceu ansiando por carinho e aceitação. Com a avó materna, descobriu onde encontrar as duas coisas: numa terra de florestas exuberantes, lagos deslumbrantes e lendas centenárias – a Irlanda. Mais precisamente no Condado de Mayo, onde o sangue e a magia de seus ancestrais atravessam gerações – e onde seu destino a espera. Iona chega à Irlanda sem nada além das orientações da avó, um otimismo sem fim e um talento inato para lidar com cavalos. Perto do encantador castelo onde ficará hospedada por uma semana, encontra a casa de seus primos Branna e Connor O’Dwyer, que a recebem de braços abertos em sua vida e em seu lar. Quando arruma emprego nos estábulos locais, Iona conhece o dono do lugar, Boyle McGrath. Uma mistura de caubói, pirata e cavaleiro tribal, ele reúne três de suas maiores fantasias num único pacote. Iona logo percebe que ali pode construir seu lar e ter a vida que sempre quis, mesmo que isso implique se apaixonar perdidamente pelo chefe. Mas as coisas não são tão perfeitas quanto parecem. Um antigo demônio que há muitos séculos ronda a família de Iona precisa ser derrotado. Agora parentes e amigos vão brigar uns com os outros – e uns pelos outros – para manter viva a chama da esperança e do amor.


Romance Mágico| 320 Páginas|  Cortesia Editora ArqueiroSkoob | Compare & CompreSaraiva • Submarino •AmazonClassificação 4/5



Uma das coisas que mais admiro na escrita da Nora Roberts é que ela é perfeitamente capaz de inserir elementos mágicos em seus romances sem deixá-los extremamente fantasiosos. Tanto é que a magia, por mais essencial que seja no desenvolvimento de suas histórias, nunca diminui a importância das relações familiares tão bem construídas pela autora. E Bruxa na Noite é exatamente assim: a união perfeita entre realidade e fantasia. Ao mesmo tempo em que acompanhamos a jornada da protagonista em busca de suas raízes mágicas – e dos segredos de seu passado – também seguimos seus passos rumo ao amadurecimento espiritual, fmiliar e romântico. Tudo o que mocinha quer é encontrar seu lugar no mundo, é se sentir amada e especial. Assim, antes mesmo de ser uma história de magia, a obra é um tributo à importância das relações que construímos ao longo da vida. E eu, como já era de se esperar, adorei isso.


A história foca em Iona, jovem que resolveu abandonar sua vida perfeitamente previsível e ir para Irlanda em busca de suas origens. Seus pais nunca foram presentes e amorosos, mas sua avó, além de cuidar da neta com carinho e dedicação, também compartilhou com ela a história de seus antepassados, ou seja, o fato da família ser descendente da Bruxa da Noite e, portanto, ter magia correndo em suas veias. Desata forma, sentindo que sua vida seria incompleta se continuasse a margem da verdade por trás de sua descendência familiar, Iona muda para a Irlanda, local belo e enigmático que fará grandes reviravoltas em seu destino. Lá ela encontrará seus primos, descobrirá mais sobre si mesma e sobre seus antepassados, e amadurecerá ao ponto de viver um grande e inesperado amor – e tudo isso enquanto une forças para combater o mal que está há décadas tentando roubar o poder da família da Bruxa da Noite. Sendo assim, a história de Iona traz um pouco de tudo o que mais gostamos em um romance: drama familiar, amizade, amor, luta do bem versus mal, aceitação e muitos recomeços.
O que mais gostei na leitura foi, sem dúvida, de sua narrativa interligada entre presente e passado (ou seja, entre a Bruxa da Noite e seus descendentes). Nora Roberts fala com propriedade sobre raízes familiares, assim ao começar o livro do passado – mostrando-nos o quão poderosa essa bruxa foi e todos os sacrifícios ela fez em nome do amor –, a autora dá vida às suas gerações futuras de uma maneira esclarecedora, de forma que desde o início fica claro para o leitor o tamanho da importância da guerra que Iona e seus primos travarão. – Nós não só acreditamos nessa batalha como também torcemos por seu fim! Além disso, o bacana é que a história possui vários protagonistas, mais especificamente um grupo de seis amigos (Iona, seus dois primos, e mais três amigos deles de infância) que está unido das mais diversas maneiras. Portanto, ao desvendar seu passado e encontrar seus primos, Iona ganha tudo o que mais queria: um lar, uma família, e um forte grupo de amigos. Por isso é impossível não se envolver com a trajetória dessa jovem que, ao fugir do previsível, ganhou os mais valiosos e fundamentais presentes da vida. De fato, sempre amo como a Nora liga seus protagonistas por meio da amizade e do amor, mas mais uma vez fiquei surpresa em como ela fala da vida de uma maneira tão simples e verdadeira. Aqui, assim como na vida real, o que importa é amor que nos une as pessoas.
A única coisa que me incomodou no início do livro foi a personalidade de Iona. Achei a jovem sonhadora demais, o que deu um ar fantasioso ao romance descrito (pelo menos em suas primeiras páginas). Contudo, sei que Iona veio balancear a racionalidade do grupo de protagonistas da trilogia, por isso ainda assim gostei da obra, porque ela é exatamente como um começo de série deve ser, repleto de mistérios, perguntas sem respostas e recomeços. Achei a narrativa fluída e direta, o cenário encantador, a batalha envolvente, o romance inspirador – e muito fofo! –, e o amadurecimento da protagonista incrível. Gostei mesmo de como Iona encontra seu lugar no mundo e de como, a partir disso, sua vida parece entrar nos eixos. Encantei-me com a obra, mas tenho a impressão de que os próximos volumes serão ainda melhores. Ansiosa demais para conferir a história de amor dos primos de Iona e a finalização da batalha travada por todos eles.
• Sobre a Série •
Bruxa da Noite é o primeiro volume da trilogia mágica Primos O’Dwyer. A saga é composta pelos livros Bruxa da Noite, Feitiço da Sombra e Magia do Sangue, e, apesar da necessidade de serem lidos na ordem, o diferencial é que cada livro foca na história de romance de um casal.
No Brasil, até o momento, apenas o primeiro volume foi publicado.


 

[ Resenha ] trono de vidro: Império de tempestades ( Tomo I e II )- Sarah J. Maas

23 agosto 2017

A história de Aelin Galathynius, sempre repleta de ação, intriga e cenas de luta inesquecíveis, continua neste quinto e penúltimo volume . Antes de serem traídos pelo atual rei, os Galathynius reinaram em Terrasen por séculos. E agora Aelin deseja recuperar a coroa e voltar a seu trono de direito... Mas o caminho até lá é longo e sinuoso. Amigos serão perdidos, lealdades serão quebradas e alianças inesperadas surgirão. Com a vida e poder jurados ao povo que está determinada a salvar, a antiga assassina, conhecida como Celaena Sardothien, colocará a própria segurança em risco para proteger os seus. Mas a única salvação está numa relíquia enterrada nas ruínas de um velho pântano.

Fantasia | Cortesia Editora Galera Record Skoob | 364 Páginas | Compre: Amazon • Saraiva  Submarino | Classificação: 5/5 

O que falar de um livro que te destrói, arrebata e te mantém vidrado durante toda a leitura? De uma história que deixa o leitor com o coração na mão em cada batalha, e que no fim destroça nossas esperanças e nos deixa desesperados por sua continuação? Como expressar em palavras a grandiosidade da obra de Sarah J. Maas, a esperteza e maestria com que ela desenvolve suas histórias e cada plot inserido na trama, convergindo num final épico, extraordinário e cheio de descobertas desesperadoras? Pois é, não estou sabendo lidar com a espera para saber o destino de Terrasen, da nossa Coração de Fogo, e de todas as personagens tão maravilhosas e complexas que essa série me ensinou a amar.
Em Império de Tempestades a rainha Aelin segue para tomar seu trono, porém a corte que cuidou de Terrasen desde a morte de seus pais a impede de atingir seu objetivo. Aelin então escolhe a guerra, conquistando aliados e cobrando dívidas do passado, sempre com a promessa de voltar e tomar o que é seu por direito e atender ao chamado de seu povo quando este precisar dela na iminente guerra prestes a eclodir e arrasar todos os reinos.
O vilão Erawan está mais forte do que nunca e aliado às Bruxas Dentes de Ferro tem um grande e sombrio poder em mãos. Em contrapartida, Manon Bico Negro, Líder Alada, demostra estar transformando-se em algo muito maior do que uma simples peça no jogo de sua Matriarca, e quando seus caminhos cruzam novamente com o de nossa rainha, agora em lados iguais, de rainha para rainha, temos um encontro maravilhoso, cheio de tensão e descobertas que podem mudar o rumo de seus destinos.

Dorian, nosso Rei, surpreende a cada novo livro, com seu poder, sua força e sua estratégia. Ele teve o coração quebrado, viveu horrores inimagináveis, mas mantem a esperança de um mundo melhor. Lutando ao lado da amiga Aelin, na intenção de dar o melhor ao seu povo, e ao lado de Manon, temos formado um crush explosivo e totalmente apaixonante, opostos que são iguais e que se completam em todos os sentidos. Nem preciso dizer que não vejo a hora de poder revê-los juntos, incendiando tudo ao seu redor, não é mesmo?

Rowan como sempre sendo perfeito, o caranan, parceiro, marido, rei, amante e amigo da nossa Coração de Fogo, o par perfeito para nossa rainha e que tem no futuro uma das missões mais difíceis e dolorosas a cumprir. É nesse personagem que depositamos nossas maiores esperanças, com ele temos nosso coração de leitor totalmente despedaçado, e que somente poderá ser curado no próximo volume desta saga tão maravilhosa e destruidora.

Ou seja, no quinto volume da saga temos batalhas atrás de batalhas, vemos nossas personagens chegarem ao limite de seu poder, esgotarem-se na tentativa de saírem vivos, de proteger um ao outro, de levantar um exército que possa salvar toda Terrasen – não somente das garras de Erawan, mas também da terrível rainha Maeve. Cada capítulo é recheado de tensão, às vezes parece que nossos personagens tão amados estão fadados ao fracasso, perdidos, mesmo com o poder devastador do fogo de Aelin. Entretanto a autora é esperta e extremamente inteligente, maquinando as tramas políticas, as alianças, desde o primeiro livro (inclusive o livro de conto que vergonhosamente não li) para no fim nos deixar embasbacados com a maestria de sua narrativa. Ela nos levou a final de rendição, onde todas as pontas se encaixam, e onde nosso coração é finalmente despedaçado com a cruel realidade do que o destino e o futuro nos reservam.

Sinceramente? Não consigo definir entre 7 livros e 2 séries, qual livro me surpreendeu mais. Quando penso que Sarah esgotou sua cota de surpresas e de formas de nos fazer sofrer, ela vem com Império de Tempestades e prova que tudo o que passamos, sentimos e choramos, foi só um gostinho do que está por vir. Sarah J. Maas é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores autoras de fantasia da atualidade, maestra em contar e entrelaçar histórias, em nos surpreender e nos deixar sem saber o que fazer da vida, em desespero por seu próximo trabalho que mais uma vez irá superar nossas expectativas e nos deixar no chão.

Se você ainda não leu nada desta autora, fica o apelo, leia. Venha se apaixonar por este universo tão rico, mágico e cheio de reviravoltas.

• Sobre a Série •


Trono de Vidro, até o momento, é composto por sete volumes. Os primeiros, que já foram publicados no Brasil, são:Trono de VidroCorte da Meia NoiteHerdeira do FogoRainha das Sombras e Império de Tempestades (que foi dividido em dois volumes pela editora, mas que é um único livro).
Beijos,

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