[Resenha] Dama da Meia Noite - Cassandra Clare

03 outubro 2017

Em um mundo secreto onde guerreiros meio-anjo juraram lutar contra demônios, parabatai é uma palavra sagrada. O parabatai é o seu parceiro na batalha. O parabatai é seu melhor amigo. Parabatai pode ser tudo para o outro mas eles nunca podem se apaixonar. Emma Carstairs é uma Caçadora de Sombras, uma em uma longa linhagem de Caçadores de Sombras encarregados de protegerem o mundo de demônios. Com seu parabatai Julian Blackthorn, ela patrulha as ruas de uma Los Angeles escondida onde os vampiros fazem festa na Sunset Strip, e fadas estão à beira de uma guerra aberta com os Caçadores de Sombras. Quando corpos de seres humanos e fadas começam a aparecer mortos da mesma forma que os pais de Emma foram assassinados anos atrás, uma aliança é formada. Esta é a chance de Emma de vingança e a possibilidade de Julian ter de volta seu meio-irmão fada, Mark, que foi sequestrado há cinco anos. Tudo que Emma, Mark e Julian têm a fazer é resolver os assassinatos dentro de duas semanas antes que o assassino coloque eles na mira. Suas buscas levam Emma de cavernas no mar cheias de magia para uma loteria sombria onde a morte é dispensada. Enquanto ela vai descobrindo seu passado, ela começa a confrontar os segredos do presente: O que Julian vem escondendo dela todos esses anos? Por que a Lei Shadowhunter proíbe parabatais de se apaixonarem? Quem realmente matou seus pais e ela pode suportar saber a verdade? A magia e aventura das Crônicas dos Caçadores de Sombras tem capturado a imaginação de milhões de leitores em todo o mundo. Apaixone-se com Emma e seus amigos neste emocionante e de cortar o coração no volume que pretende deliciar tantos novos leitores como os fãs de longa data

Meu relacionamento com a Cassandra Clare vai muito além dos doze livros dela que tive o prazer de ler. Amo sua narrativa instigante e misteriosa, seus personagens marcantes e charmosos, suas histórias conectadas e inteligentes e, principalmente, seus romances apaixonantes e emocionantes. Ela é, sem dúvida, uma das minhas autoras preferidas. E é dela também, através de um dos triângulos amorosos mais incríveis que já vi na literatura, o posto de romance de fantasia preferido da vida – nunca vou superar o final de Princesa Mecânica. Entretanto, imaginei que chegaria uma hora que a autora e suas fantasias já não me envolveriam tanto, e confesso que pensei que esse momento seria com Dama da Meia Noite. Ledo engano! Mais uma vez, a autora ganhou meu coração, minha atenção e minha mente. Mergulhei de cabeça nessa leitura, devorei suas páginas repletas de aventura e mistério, amei seus personagens, e me apaixonei perdidamente pelo romance. Sabe histórias de amor impossíveis, lindas e dolorosas? Pois bem, Dama da Meia Noite é o início de uma trilogia que une jogos de poder, mortes e perseguições, e um amor proibido extremamente tocante. Ou seja, é impossível não amar esse livro.

Fantasia | 574 Páginas | Cortesia Editora Galera Record| Skoob | Compare & Compre: Submarino • Saraiva • Amazon| Classificação: 5/5
A trama gira em torno de Emma Carstairs e de seu parabatai Julian Blackthorn. Os jovens são amigos desde pequenos e juntos, quando ainda tinham doze anos, participaram de uma batalha sangrenta protagonista por Sebastian Morgenstern; é por causa da ganância do Sebastian que Emma e Julian foram arrancados do seio de suas famílias e viveram momentos de luta e dor. Anos depois da grande guerra, Emma ainda sonha com o dia em que encontrará o verdadeiro assassino de seus pais – ela não acredita que Sebastian tenha sido o responsável pela morte deles (afinal os dois foram encontrados afogados e com o corpo cheio de marcas antigas e irreconhecíveis). Enquanto Julian, após a morte do pai e da iminente responsabilidade de cuidar dos irmãos mais novos, tenta apelar para a Clave devolver seus familiares que são descendentes de fadas, já que desde a grande guerra os Caçadores de Sombra entraram em um período de paz fria que exilou e penalizou todos aqueles que são do reino das fadas. A vida desses dois jovens é rodeada de sacrifícios, dor e, principalmente, de perguntas não respondidas. E mais uma vez eles serão testados: outras mortes estranhas, semelhantes a dos pais de Emma e envolvendo fadas, estão acontecendo aos arredores de Los Angeles. Desafiados pelo líder dos povos das fadas (que tem um interesse pessoal em desvendar esses crimes), Emma e Julian vão burlar as regras da Clave e se envolver em assuntos do submundo. Nesse meio tempo, os jovens vão desvendar perigosos segredos do passado, fazer novos amigos, contar com o retorno do irmão mais velho de Julian (que estava servindo o povo das fadas e que exatamente por isso está completamente mudado e perdido), e descobrir que o laço que os une vai muito além do amor fraternal de um parabatai. Não é permitido se envolver com fadas e muito menos se apaixonar por seu parabatai, contudo é exatamente isso que Emma e Julian estão fazendo. Ou seja, esses jovens estão muito encrencados.
Quando a série Instrumentos Mortais terminou (e sim, Dama da meia Noite possui uma ligação com o final da saga anterior, porém traz um cenário completamente diferente) eu soube que a decisão da Clave de penalizar o povo das fadas – mesmo aqueles que não participaram da grande guerra – resultaria em divisão, discórdia e novas batalhas. Por isso, o que mais gostei na leitura desse livro foi da grande questão social que permeia a trama. O povo das fadas errou, mas as punições da Clave, assim como todas as leis que regem o mundo dos Caçadores de Sombra, foram muito severas. Portanto, ao invés de ensinar uma lição, a Clave incitou nos membros do submundo um sentimento de injustiça e vingança. Achei essas colocações importantes e reflexivas, principalmente porque elas abordam temas importantes como preconceito, favoritismo governamental, e disparidade social (algo que, convenhamos, reflete muito da nossa política atual). Senti que tal abordagem foi inteligente, bem estruturada, e misteriosa o suficiente para deixar o leitor com o coração na mão. Além disso, gostei que pela primeira vez em muitos anos a autora criou personagens que questionam as regras dos Caçadores de Sombra e o poder autoritário da Clave. Emma e Julian sofreram por causa das leis duras, preconceituosas e impessoais criadas pela Clave, e estão cansados dessa excessiva dominação. Ou seja, o livro tem um teor crítico e revolucionário que eu amei. Amo quando a Cassandra Clare torna seus livros instigantes, inteligentes e reflexivos. E amo ainda mais quando ela quebra tabus ao falar de temas como preconceito racial e sexual. – E vocês achando que o livro era só mais uma história de fantasia, não é mesmo?
Outra coisa que eu amei foi como a trama gira em torno do amor proibido. Julian e Emma são parabatais e estão se apaixonando. Essa relação é perigosa e temida, portanto é impossível não sofrer e torcer por esses dois. Achei lindo e tocante como eles lutam para conter esse sentimento e, principalmente, como eles possuem medo da punição caso sejam descobertos. Além disso, amei a personalidade de todos os personagens centrais dessa trama. Como era de se esperar, o livro não gira em torno apenas da história de Julian e Emma. Existem outras tramas e outros romances paralelos que, assim como um quebra cabeças gigante, torna o livro ainda mais cativante e surpreendente. Nesse ponto, entra em questão a personalidade de Julian e o amor dele por seus irmãos. O jovem, depois da grande guerra, carrega nos ombros a responsabilidade de criar e cuidar dos irmãos. Por cinco anos ele foi mais pai do que irmão, então achei lindo não só a entregada e a dedicação desse personagem, como também o fato dele incluir a família em suas decisões. Quando Julian e Emma decidem investigar mais sobre as mortes estranhas que estão acontecendo, eles conversam e incluem os irmãos mais novos de Julian nessa missão. Assim, temos um grande grupo unido em uma mesma intenção, o que significa que é delicioso vê-los trabalhando em conjunto e mostrando nas ações de dia a dia que são uma família unida, carinhosa e dedicada – bem diferente da maioria das famílias de Caçadores de Sombra, por sinal. Amei como Emma foi acolhida por essa família, e amei e chorei muito com Julian e seu coração gigante. Acho lindo esse tipo de personagem que ama sem esperar nada em troca. O que esse jovem faz pelos irmãos é mais do que cuidar e proteger, é entregar um pedaço da sua alma e do seu coração. Tanto Emma quanto Julian, com suas personalidades fortes e seus corações amorosos, entraram para a minha lista de personagens preferidos.
Em suma, temos então: romance proibido, perigosas aventuras e investigações, valiosas discussões sobre o preconceito e as rígidas leis dos Caçadores de Sombras, e incríveis laços de amizade e amor familiar. Ou seja, tudo o que eu mais amo em livros de aventura! Sinto que essa trilogia promete muita ação, emoção e superação. Já estou apaixonada pela trama, pelos personagens, e por esse romance que ganhou meu coração. Indico esse e todos os livros da Cassandra Clare de olhos fechados.
Para os fãs: Só leiam Dama da Meia Noite depois de terminarem As Peças Infernais e Instrumentos Mortais. Nossos personagens preferidos de ambas as séries possuem um papel muito importante na história que está sendo construída pela Emma e pelo Julian.
• Sobre a Série •
Dama da Meia Noite é o primeiro volume da trilogia Os Artifícios das Trevas. Até o momento – e infelizmente – apenas o primeiro livro foi publicado pela autora. A expectativa é que a continuação saia em 2017.


Beijos,

[ Resenha] Outros jeitos de usar a boca - Rupi Kaur

Outros jeitos de usar a boca é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Não é segredo o quanto amo narrativas reais e reflexivas. Mesmo que os temas abordados sejam dolorosos ou que a história pareça cruel, amo a sensação de vivenciar as emoções descritas nas páginas de um livro. Portanto, não é surpresa nenhuma o fato de eu ter amado a intensidade por trás da narrativa de Outros Jeitos de Usar a Boca. Lê-lo foi como mergulhar de cabeça nas dores, medos e inseguranças que afligem qualquer ser humano. Os temas abordados não são belos e leves mas, ainda assim, é bonito ver como a autora transforma dores e lembranças ruins em algo bonito e sincero. Resumindo: Estou irremediavelmente apaixonada.



Para quem não sabe a Rupi Kaur ficou famosa ao compartilhar seus poemas nas redes sociais. Ao falar de temas reais que afligem toda a população – principalmente a feminina – a autora ganhou milhares de fãs e, exatamente por isso, resolveu publicar um livro. A ideia da obra era reunir seus poemas e compartilhar, através deles, importantes mensagens sobre preconceito, feminismo, abuso, amor e solidão. Mas uma coisa legal é que os temas dos poemas, que inicialmente vinham exclusivamente do dia a dia da Rupi, mudaram. Em determinado momento a autora passou a receber relatos de seus leitores e, a partir disso, começou a falar de assuntos ainda mais tabus – fatos que ela foi capaz de vivenciar através das histórias compartilhadas por seus seguidores. Ou seja, seus poemas são um tapa na cara da sociedade porque falam de experiências reaisda menina que foi hostilizada pelo namorado, da mulher traída pelo marido, da garotinha maltratada pelos pais, do namorado abandonado, e da sobrinha estuprada pelo tio. Além disso, vale dizer também que o texto (ou um deles) que impulsionou a carreira da autora aborda os estigmas da menstruação, algo que achei surreal de verídico (principalmente quando levamos em conta o quanto somos incitados a não falar publicamente sobre nosso período menstrual, como se isso fosse uma vergonha). Indico esse post para quem quer ver a tradução desse poema específico.
“Nós menstruamos e eles veem como sujeira. como forma de chamar a atenção. doente. um fardo. como se esse processo fosse menos natural que respirar. como se não houvesse uma ponte entre este universo e o anterior. como se esse processo não fosse amor. trabalho. vida. altruísta e impressionantemente belo.”
Entendendo um pouco mais sobre a autora, vamos para o livro. A obra é dividida em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Nesses blocos a autora reúne poemas (e ilustrações também, viu?) de um mesmo tema e descreve histórias de luto, perda, estupro, repressão, tesão, amor, traição, término, perdão e recomeço. É a vida real diante dos nossos olhos, a vida de uma forma meio cruel e sexual em alguns pontos, mas ainda assim é a vida e suas nuances.
O primeiro bloco acabou comigo. Chorei, muito, principalmente nos poemas com teor familiar (me vi em alguns relatos sobre a dificuldade da filha em falar com o pai). No segundo bloco fiquei impressionada, amei como a autora falou do amor sem omitir o desejo, o toque, os beijos... Nesse tópico é importante dizer que, apesar do conteúdo sexual, Rupi Kaur usa as palavras com cuidado, trabalhando com duplos sentidos e sem a necessidade de ser obscena. No terceiro tópico, sobre a ruptura, fiquei incomodada. Ler sobre términos, mentiras, dores, traições, tentativas e erros nunca é fácil. E por último fiquei aliviada. A sensação é que, não importa a merda que a vida jogue em você, a cura está no final do caminho a sua espera, pronta para reavivar seu coração.
“fique firme enquanto dóifaça flores com a dorvocê me ajudoua fazer flores com a minhaentão floresça de um jeito lindo perigosoescandaloso floresça suavedo jeito que você preferirapenas floresça.”

Esse é o tipo de livro que lemos rápidos, já que são poucas páginas e todas com poemas, mas que ainda assim precisamos ler com calma. Cada página é uma bomba de emoções e sentidos, principalmente quando o leitor se identifica com a história narrada, então é importante ler a obra de coração aberto para todas as emoções – mesmo as tristes e dolorosas – que ela carrega. Acho importante também falarmos sobre a mensagem que a autora traz. Aqui ela nos mostra um pouquinho do dia a dia feminino, da opressão por trás do nosso corpo e das nossas escolhas. Por isso, ele é tido como um livro feminista. E, para mim, Outros Jeitos de Usar a Boca mostra muito bem o que é ser uma verdadeira feminista, provando que o movimento não é esse ato monstruoso que a mídia quer que acreditemos, mas apenas o ideal de esperar que o mundo nos valorize do jeitinho que somos: menstruadas ou não, depiladas ou não, mães ou não, donas de casa ou não, e assim por diante.
Sei que a resenha traz o enfoque no público feminino – e acho que senti isso porque a autora é mulher, porque eu sou mulher e porque fui, constantemente, marcada pelas emoções descritas aqui. Mas esse é o tipo de obra que pode e deve ser lida por qualquer pessoa. E que, se você abrir o coração, poderá te trazer a confiante sensação de vitória: vitória sobre o medo, a dor, o trauma, a depressão. – Porque se no final tudo acaba em cura, quem somos nós para perdermos a esperança?
Simplesmente leiam, vale muito a pena.
Beijos,

[Resenha] A Febre - Megan Abbot

06 setembro 2017

Na Escola Secundária de Dryden, Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir. Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa.


A narrativa de A Febre seguiu um rumo completamente diferente do qual imaginei. A sinopse da história foca no misterioso caso de garotas que, em um surto inexplicável, começam a apresentar sintomas semelhantes: convulsões, dores de cabeça, perda de memória, medo, mania de perseguição, inquietação e muitos outros. A especulação parece girar em torno do que está afetando essas jovens – já que os laudos médicos não encontram uma conclusão lógica. Entretanto, por mais que a trama foque nesse misterioso acontecimento, sinto que a verdadeira mensagem do livro está na abordagem das relações tipicamente juvenis, ou melhor, em como os relacionamentos afetivos podem modificar e nublar as escolhas de um jovem. Por isso A Febre recebeu comparações com o aclamado “Garota Exemplar”, porque a obra vai além do mistério ao descrever dramas dolorosamente reais que, infelizmente, acompanham o desenvolvimento dos adolescentes da atualidade.
Será que pareço diferente? Então se lembrou de ter se perguntado a mesma coisa dois dias antes. Como saber, se as coisas não param de acontecer, provavelmente deixando marcas de formas que não conseguimos enxergar?
A obra conta com três narradores, ambos da mesma família: Deenie, jovem de dezesseis anos; Eli, irmão mais velho de Deenie; e Tom, o pai da jovem protagonista. Os três estão envolvidos no ambiente escolar onde os surtos começam a afetar algumas garotas – Tom como professor e seus filhos como alunos. O bacana da narrativa intercalada é que ela dá uma visão geral da temida febre. Como garota, Deenie vê uma por uma de suas amigas e colegas de escola serem afetadas por sintomas confusos e dolorosos. É horrível ver através dos seus olhos a dor que ela sente por não poder ajudá-las, a confusão de não entender o que está acontecendo, o medo de talvez ser a próxima, e a culpa de imaginar inúmeros motivos que possam ter levado ao início da febre: – Será que Deenie e as amigas estão passando por isso por terem tomado a vacina contra a HPV? Ou talvez por terem entrado no misterioso lago da cidade? Ou talvez o surto tenha relação com seus últimos namoros? Já a visão de Eli dá o panorama dos garotos da escola, mostrando o quanto alguns estão preocupados com as meninas afetadas enquanto outros só sabem aproveitar e caçoar do momento, disseminando o acontecimento através das redes sociais e compartilhando vídeos e fotos das meninas no ápice da febre. E Tom, como pai e responsável, mostra o quanto os pais das garotas estão apavorados. Afinal, se algo assim começasse a acontecer na sua cidade ou/e se você tivesse uma filha adolescente... Você conseguiria dormir sem saber como e, principalmente, do que protegê-la? Ver Tom e todos os pais desesperados, sem saber como agir ou o que fazer, e muitas vezes tomando decisões impensadas por causa do medo, mostra como nós somos completamente vulneráveis..

Suspense | 272 Páginas Cortesia Editora Intrínseca | Skoob Compare:Submarino • Saraiva • Amazon| Classificação: 3,5/5
A parte do mistério do livro é realmente incrível. Demorei um pouco para entender o ponto da autora, mas quando tudo ficou claro, pensei: UAU. Como disse a grande questão da história está na reflexão social por trás do surto, nos motivos aleatórios que influenciaram na desestabilização dessas garotas. A Febre é reflete muitas coisas, as quais nos ajudam a pensar sobre: sexo precoce, mentiras, drogas e pais descuidados que não percebem o quanto suas atitudes podem influenciar negativamente seus filhos. Nesse ponto saliento a posição de Tom como narrador. Ele é pai separado, passou por momentos difíceis, mas julga seus filhos de forma extremamente despreocupada. Depois do abandono da mulher ele criou um laço de dependência com Deenie; ele quer agradá-la então faz praticamente tudo o que ela quer. Enquanto com Eli ele só vê os sinais exteriores, não sabendo quase nada do que realmente diz respeito ao filho. E isso é apenas uma das infinitas reflexões que o livro, e consequentemente a tal febre, nos leva a fazer. Definitivamente adorei esse ponto.
O único problema da obra é que a narrativa é descritiva e extremamente lenta. O mistério em si demora para ser desenvolvido, portanto são páginas e mais páginas sem entendermos muito bem o sentido da história. Até porque, somente quando o mistério engrena é que a lógica por trás da narrativa vem á tona – mesmo momento em que não conseguimos desgrudar das páginas do livro. Portanto o suspense da história é bom, as reflexões sociais presentes na trama são importantes e verdadeiras, e o desfecho segue uma linha racional que me agradou bastante. Contudo, penso que a escrita poderia ser mais fluída em certos pontos para que a obra não ficasse maçante. Também acho que faltou algo, talvez um choque maior de realidade ou uma mudança drástica em certos personagens, para que a leitura fosse tão magnânima quanto prometeu ser. Porém, não nego que gostei da história e que refleti muito com ela – não é segredo que adoro livros capazes de abordar temas polêmicos e reais.
Coisas ruins acontecem e acabam, mas onde vão parar? Elas ficam com a gente para sempre, como parasitas sob a pele?
E para os que perguntam se a leitura vale a pena... Vale sim. O livro tem seus altos e baixos, mas a mensagem por trás do mistério compensa parte das falhas.
• Curiosidades •
A trama do livro foi inspirada em um acontecimento real, ocorrido no estado de Nova York, em 2012.
A obra foi eleita como Livro do Ano pelo Strand Critics Award e apontada entre os finalistas do prestigioso Folio Prize e os melhores do ano da Amazon.
A produtora da atriz Sarah Jessica Parker vai lançar uma série no canal MTV baseada no livro e produzida por Karen Rosenfelt, de A Menina Que Roubava Livros, O Diabo Veste Prada e Crepúsculo.

Beijos,

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