06 setembro 2017

[Resenha] A Febre - Megan Abbot

Na Escola Secundária de Dryden, Deenie, Lise e Gabby formam um trio inseparável. Filha do professor de química e irmã de um popular jogador de hóquei da escola, Deenie irradia a vulnerabilidade de uma típica adolescente de 16 anos. Quando Lise sofre uma inexplicável e violenta convulsão no meio de uma aula, ninguém sabe como reagir. Os boatos começam a se espalhar na mesma velocidade que outras meninas passam a ter desmaios, convulsões e tiques nervosos, deixando os médicos intrigados e os pais apavorados. Os ataques seriam efeito colateral de uma vacina contra HPV? Envoltos em teorias e especulações, o pânico rapidamente se alastra pela escola e pela cidade, ameaçando a frágil sensação de segurança daquelas pessoas, que não conseguem compreender a causa da doença terrível e misteriosa.


A narrativa de A Febre seguiu um rumo completamente diferente do qual imaginei. A sinopse da história foca no misterioso caso de garotas que, em um surto inexplicável, começam a apresentar sintomas semelhantes: convulsões, dores de cabeça, perda de memória, medo, mania de perseguição, inquietação e muitos outros. A especulação parece girar em torno do que está afetando essas jovens – já que os laudos médicos não encontram uma conclusão lógica. Entretanto, por mais que a trama foque nesse misterioso acontecimento, sinto que a verdadeira mensagem do livro está na abordagem das relações tipicamente juvenis, ou melhor, em como os relacionamentos afetivos podem modificar e nublar as escolhas de um jovem. Por isso A Febre recebeu comparações com o aclamado “Garota Exemplar”, porque a obra vai além do mistério ao descrever dramas dolorosamente reais que, infelizmente, acompanham o desenvolvimento dos adolescentes da atualidade.
Será que pareço diferente? Então se lembrou de ter se perguntado a mesma coisa dois dias antes. Como saber, se as coisas não param de acontecer, provavelmente deixando marcas de formas que não conseguimos enxergar?
A obra conta com três narradores, ambos da mesma família: Deenie, jovem de dezesseis anos; Eli, irmão mais velho de Deenie; e Tom, o pai da jovem protagonista. Os três estão envolvidos no ambiente escolar onde os surtos começam a afetar algumas garotas – Tom como professor e seus filhos como alunos. O bacana da narrativa intercalada é que ela dá uma visão geral da temida febre. Como garota, Deenie vê uma por uma de suas amigas e colegas de escola serem afetadas por sintomas confusos e dolorosos. É horrível ver através dos seus olhos a dor que ela sente por não poder ajudá-las, a confusão de não entender o que está acontecendo, o medo de talvez ser a próxima, e a culpa de imaginar inúmeros motivos que possam ter levado ao início da febre: – Será que Deenie e as amigas estão passando por isso por terem tomado a vacina contra a HPV? Ou talvez por terem entrado no misterioso lago da cidade? Ou talvez o surto tenha relação com seus últimos namoros? Já a visão de Eli dá o panorama dos garotos da escola, mostrando o quanto alguns estão preocupados com as meninas afetadas enquanto outros só sabem aproveitar e caçoar do momento, disseminando o acontecimento através das redes sociais e compartilhando vídeos e fotos das meninas no ápice da febre. E Tom, como pai e responsável, mostra o quanto os pais das garotas estão apavorados. Afinal, se algo assim começasse a acontecer na sua cidade ou/e se você tivesse uma filha adolescente... Você conseguiria dormir sem saber como e, principalmente, do que protegê-la? Ver Tom e todos os pais desesperados, sem saber como agir ou o que fazer, e muitas vezes tomando decisões impensadas por causa do medo, mostra como nós somos completamente vulneráveis..

Suspense | 272 Páginas Cortesia Editora Intrínseca | Skoob Compare:Submarino • Saraiva • Amazon| Classificação: 3,5/5
A parte do mistério do livro é realmente incrível. Demorei um pouco para entender o ponto da autora, mas quando tudo ficou claro, pensei: UAU. Como disse a grande questão da história está na reflexão social por trás do surto, nos motivos aleatórios que influenciaram na desestabilização dessas garotas. A Febre é reflete muitas coisas, as quais nos ajudam a pensar sobre: sexo precoce, mentiras, drogas e pais descuidados que não percebem o quanto suas atitudes podem influenciar negativamente seus filhos. Nesse ponto saliento a posição de Tom como narrador. Ele é pai separado, passou por momentos difíceis, mas julga seus filhos de forma extremamente despreocupada. Depois do abandono da mulher ele criou um laço de dependência com Deenie; ele quer agradá-la então faz praticamente tudo o que ela quer. Enquanto com Eli ele só vê os sinais exteriores, não sabendo quase nada do que realmente diz respeito ao filho. E isso é apenas uma das infinitas reflexões que o livro, e consequentemente a tal febre, nos leva a fazer. Definitivamente adorei esse ponto.
O único problema da obra é que a narrativa é descritiva e extremamente lenta. O mistério em si demora para ser desenvolvido, portanto são páginas e mais páginas sem entendermos muito bem o sentido da história. Até porque, somente quando o mistério engrena é que a lógica por trás da narrativa vem á tona – mesmo momento em que não conseguimos desgrudar das páginas do livro. Portanto o suspense da história é bom, as reflexões sociais presentes na trama são importantes e verdadeiras, e o desfecho segue uma linha racional que me agradou bastante. Contudo, penso que a escrita poderia ser mais fluída em certos pontos para que a obra não ficasse maçante. Também acho que faltou algo, talvez um choque maior de realidade ou uma mudança drástica em certos personagens, para que a leitura fosse tão magnânima quanto prometeu ser. Porém, não nego que gostei da história e que refleti muito com ela – não é segredo que adoro livros capazes de abordar temas polêmicos e reais.
Coisas ruins acontecem e acabam, mas onde vão parar? Elas ficam com a gente para sempre, como parasitas sob a pele?
E para os que perguntam se a leitura vale a pena... Vale sim. O livro tem seus altos e baixos, mas a mensagem por trás do mistério compensa parte das falhas.
• Curiosidades •
A trama do livro foi inspirada em um acontecimento real, ocorrido no estado de Nova York, em 2012.
A obra foi eleita como Livro do Ano pelo Strand Critics Award e apontada entre os finalistas do prestigioso Folio Prize e os melhores do ano da Amazon.
A produtora da atriz Sarah Jessica Parker vai lançar uma série no canal MTV baseada no livro e produzida por Karen Rosenfelt, de A Menina Que Roubava Livros, O Diabo Veste Prada e Crepúsculo.

Beijos,

[Resenha] Dez formas de fazer um coração se derreter - Sarah MacLean

Isabel Townsend não é exatamente o que se espera da filha de um conde. Apesar de ter a pele delicada e de saber se portar como uma dama quando necessário, a jovem também monta a cavalo, conserta telhados, administra a propriedade e cria o irmão caçula desde que a mãe faleceu – tudo isso sem despertar a menor suspeita de que não há um homem sequer para cuidar de sua família.Para o pai dela, que só queria se divertir e gastar dinheiro em jogatinas, pouco importava o que ela fizesse. Porém, quando ele morre, Isabel se vê sem recursos e precisa defender os direitos do irmão, ameaçados pela chegada iminente de um tutor. Assim, não lhe resta saída senão vender sua coleção de estátuas de mármore, o único bem que herdou. Para sorte sua, um especialista em antiguidades acaba de chegar ao condado. Inteligente e sensual, lorde Nicholas St. John é um solteiro convicto que deixou Londres para se livrar das jovens que passaram a persegui-lo desde que foi eleito um dos melhores partidos da cidade.Em poucos dias, fica claro para Nick que Isabel é a mulher mais obstinada e misteriosa – além da mais interessante – que já cruzou seu caminho. Ao mesmo tempo, ao conhecê-lo melhor, a independente Isabel percebe que há homens em que vale a pena confiar. Enquanto eles põem de lado suas antigas convicções, seus corações se abrem para dar uma chance ao amor.

Eis um fato: a Sarah MacLean nunca me decepciona. Mesmo que inicialmente suas histórias pareçam clichês ou excessivamente romantizadas, me conforta saber que sempre encontrarei nelas protagonistas femininas que fogem dos padrões – sejam os impostos pela sociedade inglesa do século XIX ou até mesmo aqueles que vemos na literatura atual. Comumente encontramos protagonistas extremamente inseguras ou devastadoramente independentes. E eu amo o fato da Sarah fugir desse estereótipo e criar personagens com as quais posso me identificar; mulheres que carregam suas cotas de insegurança, mas que nem por isso deixam de correr atrás dos seus sonhos. Tanto é quem em Dez formas de fazer um coração se derreter, apesar do romance divertido e cativante, o foco está na jornada de uma mulher que luta para salvar outras jovens da ruína, acolhendo aquelas que foram repudiadas pela sociedade por terem confiado no homem errado. Assim, misturando romance, bom-humor e superação, Sarah McLean criou uma história atual e sincera sobre empoderamento feminino.

Romance de Época | 352 Páginas | Cortesia Editora Arqueiro| Skoob | Compare & Compre: Submarino • Saraiva •Amazon| Classificação: 4/5
Isabel é filha de um conde, mais precisamente do Conde Perdulário. Como um bom apostador, ele já perdeu bens, riqueza, a dignidade que lhe restava, e até mesmo o respeito da filha. A ausência e o descaso do pai, fizeram de Isabel uma jovem independente e determinada a lutar contra os padrões sociais que permitem que os homens façam tudo que lhes vem à mente sem medir as consequências de seus atos – como, por exemplo, um conde que abandona a família e que gasta todo o dinheiro que deveria prover o sustento de seu lar. E é exatamente por isso que anos atrás ela resolveu abrigar em casa mulheres que precisavam de ajuda: que sofreram abusos dos maridos, que foram abandonadas pelos pais, que engravidaram e precisaram fugir, ou que simplesmente foram renegadas do convívio social. Juntas, essas mulheres dividem as funções da casa e levam uma vida simples, corrida e calma. Porém, o dinheiro está cada vez mais escasso e na intenção de manter seu lar e o sustento dessas jovens mulheres, Isabel terá que tomar uma decisão drástica e vender sua antiga coleção de estátuas gregas – as quais ela ama com todo seu coração. Para acelerar a venda Isabel recorrerá ao melhor avaliador de peças históricas, o Lorde Nicholas, um dos solteiros mais cobiçados de Londres. Depois de ter seu nome listado como um bom partido e ser seguido por todo canto por mães casamenteiras, Nicholas aceita de bom grado o desafio de ficar no interior e ajudar Isabel a vender sua bela coleção. Contudo, a cada dia que passa ao lado dessa jovem ele descobre mais sobre os segredos que ela esconde e, sem querer, acaba tomando para si a causa de provar que nem todos os homens são ruins e irresponsáveis. No fundo, ele quer conquistar a confiança dessa mulher e, quem sabe, até mesmo seu coração.
O que mais gostei na leitura, sem dúvida, foi da causa por trás das escolhas de Isabel. Ela criou um lar para mulheres desamparadas e, mesmo sem o dinheiro necessário para tal empreitada, nunca mediu esforços para ajudá-las. Amo livros de época que focam no romance, contudo amo ainda mais quando essas histórias nos mostram parte da dureza desse período histórico: a pobreza, a guerra, o preconceito e a altíssima disparidade social e, principalmente, a subjugação feminina. Isabel é o tipo de personagem que já sofreu por ser mulher. Mesmo detendo título e status social, a jovem cresceu sob os caprichos de um pai que gastava mais do que tinha, que não ligava para a família, e que vivia apostando a filha em casas de jogos. Por isso, ela pega para si a tarefa de ajudar outras mulheres – com título ou não – que sofrem da mesma forma. E é óbvio que eu amei isso. Amei ver a força de Isabel e seu coração entregue e bondoso, amei ver o lar que ela construiu com ajuda das mulheres que salvou, e amei ainda mais o fato dessas jovens representarem muito bem o que somos: determinadas, resistentes e independentes. Aqui, quando a sociedade grita ou diz que não aceita uma mulher, elas se unem e constroem um novo futuro.
Além da mensagem por trás do livro e da força de Isabel, também adorei o romance. O enlace entre Isabel e Nicholas é bem previsível e clichê, contudo é simplesmente impossível não se apaixonar por esse casal e pela maneira que eles cuidam – mesmo sem querer – um do outro. Fora que, assim como todos os livros da Sarah, o romance é carregado de bom-humor e sensualidade, o que deixa a trama ainda mais cativante e gostosa de ler. Confesso que não achei esse o casal mais arrebatador ou carismático entre os criados pela autora, mas não nego que a história de Isabel e Nicholas me divertiu, emocionou, e ganhou um pedacinho do meu coração. Indico o livro, a série, e todos os romances escritos por essa talentosíssima autora.
• Sobre a Série •

Dez formas de fazer um coração se derreter é o segundo volume da trilogia Os Números do amor. Cada livro é protagonizado por um casal diferente, entretanto é importante lê-los na ordem de publicação (pois os casais estão interligados).
Beijos,

28 agosto 2017

[Resenha] Uma janela para o céu - Marina Machado

Julyana Barocci é o perfeito retrato da mulher contemporânea: ela é determinada, bem-sucedida e tem o emprego dos sonhos. Agora, aos 35 anos, percebe que conquistou tudo o que queria. Bem, quase tudo. Quando o assunto é relacionamentos, o retrato não é tão fiel assim. Em Uma janela para o céu, Julyana narra com bom humor suas aventuras e inseguranças na busca por seu par ideal. Com o súbito aparecimento de seu pai desconhecido, ela descobre os fatos que a fizeram se separar do único namorado a quem amou de verdade – e de quem ficou separada por vinte anos. Essa visitinha do passado veio para esclarecer questões mal-resolvidas ou para complicar a vida de Julyana de vez?

Uma Janela para o Céu me enganou direitinho. A capa e sinopse me venderam um livro romântico, divertido e leve – exatamente o que os chick-lits têm de melhor. Entretanto, apesar de ter tudo isso a trama surpreende por ir além, por focar na história de uma mulher madura, insegura em alguns momentos, e ansiosa por encontrar o amor. Gosto de histórias românticas que abordam temas importantes como perdão, recomeço e amor verdadeiro (não do tipo idealizado, mas aquele que é construído aos poucos, no dia a dia). E a história da Marina tem tudo isso e muito mais.

Chick-Lit| 286 Páginas| Editora Novo Século (Talentos da Literatura Nacional)Skoob | Compare & CompreSaraiva • Amazon Classificação4/5
Julyana acabou de flagrar o namorado em uma cena comprometedora com uma garota bem mais nova. E, como se não fosse suficiente, ela também descobriu que a mãe mentiu a respeito de coisas importantes do seu passado – uma delas, por exemplo, é a identidade do seu pai, aquele com quem ela sempre sonhou conviver mas nunca teve a oportunidade de conhecer. Em um rompante de dor e mágoas, Julyana (que não é mais tão novinha e sente o peso dos seus trinta e cinco anos) resolve tirar um período de férias para voltar para o interior de Minas, região em que sua mãe vive, e confrontar de uma vez por todas o passado. O problema é que ao chegar lá a jovem descobrirá novas mentiras e acabará ainda mais magoada com a mãe, insegura com tudo o que deixou de viver e aproveitar por causa dos segredos de sua família, e ansiosa para superar o passado. E é nessa ânsia por um novo futuro que ela reencontrará um namorado de juventude, alguém que ela sempre amou e amará. – Ou seja, puro clima de mentiras, perdão e reencontros, não é mesmo?
Podemos dizer que Julyana está em crise. Ela está cansada de viver relacionamentos falsos, que duram menos de dois meses, e de sentir que nunca será amada verdadeiramente. Além disso, nossa protagonista quer paixão, companheirismo, amizade e, quem sabe, a oportunidade de criar uma família. Mas parece que Julyana sempre escolhe os caras errados ou que, depois dos trinta, não é mais vista como uma mulher desejada. Como disse, ela está em crise. E achei legal como a autora aborda isso, mostrando as dificuldades que toda mulher encontra nessa fase: sonhos profissionais (ADOREI que a obra aborda esse tema sem deixar que o romance ofusque quem a protagonista é), vontade de superar mágoas e erros antigos (aqui temos a abordagem da ligação da jovem com seus familiares, principalmente com a falta que ela sente da figura paterna), e uma necessidade de ser amada. Como disse no começo da resenha, achei que o livro focaria apenas no romance, mas foi uma surpresa gostosa ver essa mulher – doidinha, briguenta, birrenta em alguns momentos (ás vezes parecia que ela era bem mais nova, juro que queria dar umas sacudidas nela, risos) – descobrir que o amor verdadeiro está, antes de mais nada, no amor próprio. No final o que fica do livro é a jornada da protagonista: erros, vitórias, recomeços e o muito perdão.
Sem dúvida o que mais gostei na leitura foi à jornada de amadurecimento da protagonista e suas conversas, engraçadas e reais, com suas melhores amigas. Elas possuem um grupo no Whats (bem gente como a gente) e conversam sobre tudo e mais um pouco. Identifiquei-me com essas mulheres e torci bastante por elas. Entretanto, um dos pilares mais importantes da história, que é o romance, não me convenceu inteiramente. Logo de cara percebemos dois possíveis pares românticos pra Julyana, seu namorado antigo e um lance proibido com um homem que ela acabou de conhecer. Um deles é real e encantador, o outro é seguro e ao mesmo tempo impossível. Entre escolhas e desejos, percebi que a protagonista perdeu tempo demais com o homem errado (que na realidade não é errado, porque sem ele Julyana não teria embarcado em uma jornada de amadurecimento, mas ainda assim, vai falar isso pro meu coração de leitora...). Queria ter visto a paixão nascer e explodir, o dia a dia e as conversas, e a construção de sonhos. Sinto que a protagonista teve tudo isso, mas não com o homem certo, sabe? Não acho que estou fazendo muito sentido, até porque preciso evitar spoilers, mas em suma digo que senti falta do romance, mesmo percebendo que ele não era o foco da trama.
No geral, temos um livro divertido, cheio de peripécias e planos mirabolantes, e que foca na jornada de amadurecimento da protagonista. Aqui lemos sobre crescimento, superação do passado e a busca pelo amor verdadeiro. Algo que gostei bastante. Recomendo para aqueles que gostam de chick-lits que vão além do esperado e surpreendem por abordar temas mais reflexivos.
• Sobre a Série •

Uma Janela para o Céu é o primeiro volume de, até então, uma duologia. A continuação ainda não tem nome, mas focará no romance de Julyana e nosso mocinho misterioso (enquanto no primeiro vemos essa mulher crescer e amadurecer, no segundo acompanharemos ela pronta pra engatar um romance sério).